Terra Magazine

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TICs, na década: mudanças e mais mudanças

olhe a imagem abaixo. leve em conta que o tempo corre da esquerda para a direita. a figura é deste post sobre as mudanças nas TICs [tecnologias da informação, comunicação] e suas aplicações neste século. olhe a imagem com calma. depois, abaixo, veja a continuação deste texto.

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a primeira observação é que todos nós tendemos a superestimar os efeitos das mudanças tecnológicas no curto prazo e a subestimá-las no longo prazo. este ditado é conhecido como a lei de amara e se aplica a muito da imagem acima.

no topo da figura, observe a transição [que já está acontecendo] entre GUI [graphical user interface, as interfaces gráficas das estações de trabalho da década de 80 e, depois, de MACs e PCs] e "touch", as interfaces baseadas em toque, nossas contemporâneas. "toque" não é necessariamente a última interface que usaremos, claro. o kinect e o começo das interfaces baseadas em gestos, e à distância, estão aí para provar isso. daí que vem a citação à lei de amara no parágrafo anterior.

ainda bem que o texto de onde vem a imagem, logo depois dela, começa a discutir a próxima meia década das mudanças em TICs e suas aplicações e não o próximo século. 

parte do resumo da conversa é que os usuários [inclusive os corporativos] querem aplicações de [ou intensivas em] TICs mais ceis [no sentido de simples de usar], veis [em todas as plataformas, em todos os lugares] e sociais, conectando todos os sistemas, pessoas e instituições. tem cara de brincadeira chamar tal tríade de famosos, mas vão acabar chamando.

e o problema mais interessante apontado pelo texto de dion hinchcliffe é a distância entre as aplicações e sistemas famosos e a atual capacidade das corporações de prover infraestruturas e serviços de informação. e o tamanho do desafio que as empresas enfrentarão para diminuir tal abismo.

muitos negócios não conseguirão fazer as mudanças necessárias a tempo. porque o "abismo informacional" entre o que existe e sistemas "famosos", para a maioria, é tão grande e –dentro do contexto clássico de TICs nos negócios- exige investimentos de tal porte que, para um grande número de empresas, não haverá capacidade de investimento para as novas demandas informacionais da cadeia de valor e, principalmente, dos usuários.

a parte crítica do parágrafo anterior é o dentro do contexto clássico de TICs nos negócios. coisas como achar que, como todo negócio depende muito de software, todo o software deve estar sob o comando e controle da empresa, como parte dos problemas de seu grupo de "tecnologia", como se diz no mercado. em um número de empresas isso quer dizer, inclusive, que o "social" está se tornando parte do problema da galera de "tecnologia"… o que pode ser um problema a mais, ao invés de uma solução.

os negócios do passado distante migraram de isolados para cadeias e, depois, para redes de valor. e as plataformas tecnológicas que servem de infraestrutura para os negócios terão que fazer o mesmo nesta década. e serão usadas como serviços essenciais entregues por provedores de informaticidade, de forma similar ao que acontece com outras "utilities" como eletricidade e comunicação. com alguma sorte, sem os monopólios naturais que causam tantos problemas nas infraestruturas clássicas de serviços públicos.

mas migrar os sistemas de informação empresariais para a "nuvem" resulta em muito menos do que se quer: primeiro, que os sistemas de informação empresariais estejam centrados nas pessoas, para representar um estado de coisas que já existe, em e na rede, há uma década. segundo, um passo decisivo para integrar as pessoas e coisas no mesmo ambiente. sem estratégia, planejamento e investimento para tal, os incumbentes de muitos mercados estarão criando espaços para novos e bem mais conectados competidores. pra ver do que estamos falando, veja o vídeo abaixo…

ericsson: a rede social das coisas [conectada a das pessoas...]

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

e-gov: os problemas e o tamanho da oportunidade

o tribunal de contas da união informa: “há uma total ausência de comprometimento dos altos escalões com a área [de tecnologias de informação e comunicação do governo federal]”. o TCU vem analisando a infraestrutura e sistemas de informação de governo, sob várias perspectivas, desde 2007, de uma forma sistemática. mas o interesse do tribunal de contas e sua influência sobre os negócios federais de informática vem de longe, como mostra o gráfico abaixo.

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a imagem acima vem de uma apresentação do ministro aroldo cedraz no dia 26 de maio pp., e aponta um aumento de 15 vezes no número de decisões do TCU sobre “contratações de TI” em um período de 15 anos. isso é muito e dá uma idéia da importância que o tribunal credita às tecnologias de informação e comunicação e suas aplicações na gestão e nos serviços públicos.

para entender a quantas anda a governança dos sistemas públicos de TICs e aplicações, vá ver os slides da apresentação do ministro cedraz, onde se aponta os dez órgãos de governança superior que deveriam dar conta da política, estratégia, planejamento e operações de TICs na gestão pública e nas estatais.

com tantas deliberações e órgãos para dar conta da TI federal, como anda o estado da arte da informática nas instituições federais? veja o slide abaixo, que reporta a pesquisa feita pelo TCU com 300 órgãos públicos em 2010 e tire suas próprias conclusões…

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que tal ler, detalhando um pouco mais, a imagem acima?… mais da metade das instituições públicas faz software de forma amadorística; mais de 60% não tem [na prática] política e estratégia para sua informática e segurança de informação; 74% não têm nem mesmo as bases de um processo de gestão de ciclo de vida de informação; por conseguinte, há informação que detêm e não sabem e outras que não, mas que acham que sim, está em algum lugar, só não pode ser encontrada “agora”. um dia, quem sabe?…

e tem mais: 75% não gerencia incidentes de segurança de informação, como invasão de sites e sistemas e perdas ou [pior?] alteração de dados; 83% não faz ideia dos riscos a que a informação sob sua responsabilidade está sujeita, quase 90% não classifica informação para o negócio, o que significa que a instituição está sob provável e permanente caos informacional e quase 100% não tem um plano de continuidade de negócio em vigor. ‘

o que quer dizer que se o lugar for atingido por uma pane elétirca grave, enchente, raio, incêndio… a comunidade alvo dos serviços do órgão pode ficar semanas sem ser atendida e pode haver descontinuidades muito graves do ponto de vista da história da informação no [e para o] governo e os serviços públicos.

se informação e informática são tão importantes para empresas, governo e sociedade, porque estamos neste estado de coisas no governo federal? a pesquisa do TCU dá uma boa idéia das razões…

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mais da metade de quem manda no lugar não se responsabiliza pelas políticas de TI, o que quer dizer, na prática, que “não estão nem aí” para o que estiver sendo feito ou acontecendo; quase metade não designou um comitê de gestão para TI, quase 60% dos altos gestores das organizações não estabeleceu objetivos de gestão e uso para a área de TI e, finalmente, 76% não estabeleceu indicadores de desempenho para a área.

observado deste ponto de vista, os resultados do slide anterior não surpreendem, não é mesmo?…

neste contexto, há razões para ser otimista? pode não parecer, mas há. a secretaria de fiscalização de tecnologia da informação do TCU está trabalhando em conjunto com muita gente para criar e manter políticas de sistemas e informação nos órgãos federais. e isso quer dizer operar o presente de forma eficaz, eficiente e segura e criar o futuro ao mesmo tempo. não estamos falando de uma área que evolui lentamente ou que tem pouca demanda interna e externa. a tendência, no governo, tem sido a de informatização do caos, coisa que este blog apontou neste texto e comentou neste áudio, na CBN.

como os dados da SEFTI/TCU mostram, estamos muito longe do ideal. neste momento, isso é uma grande oportunidade, pois as infraestruturas e sistemas de informação estão mudando de forma radical.

todos governos mundiais estão planejando, iniciando e operando federações de infra e serviços [a tal “nuvem”, veja mais aqui] que vai mudar a visão de mundo da informática pública [city of orlando CIO: “I want to get out of the server business and into the services business.”], gerando economias de escala antes inimagináveis, como a redução do custo operacional total das infraestruturas de informação federais em 2/3 ou mais.

nos EUA, o governo obama criou o posto de CIO –chief information officer- federal, responsável por pensar, planejar, orientar, articular toda a estratégia e operações federais de TICs e suas aplicações. até abril passado, só em 2011 o CIO vivek kundra havia fechado 39 data centers, dos 137 que fechará este ano. até 2015, 800 dos atuais 2094 data centers federais deixarão de funcionar.

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tais centros não estão sendo fechados porque é “moda”, mas porque novas formas de coletar, processar, conectar, compartilhar e preservar dados estão disponíveis e permitem, através de seu uso criativo e inovador, realizar muito mais com muito menos, em termos de investimento em informática e sistemas de informação em rede.

há uma “nova” forma de fazer informática, baseada em “máquinas sociais”, sistemas programados e programáveis em rede, conectados e integrados pela rede. na verdade, a idéia não é nem tão nova assim: olhe aqui o que este blog escreveu sobre “informaticidade” na revista CIO em 2006 e veja aqui uma revisão de 2008 sobre o mesmo assunto.

as oportunidades de simplificação de infraestrutura e ganhos de escala nos sistemas de informação e seu desenvolvimento, manutenção e evolução. criadas por infraestrutura e software como serviço, na nuvem, deveriam ser combinadas com a necessidade de mais e melhor governança apontadas pelo TCU para abrir um amplo espaço de criatividade, inovação, operação e gestão na informática pública brasileira.

e isso pode ter pouco a ver com fazer cada órgão da informática pública federal cumprir o caderno de determinações do TCU na “sua” informática, mas começar a fazer com que uma verdadeira “rede” de infra, sistemas e serviços federais seja formada a partir dos órgão mais competentes, mais determinados e mais abertos a realizar um papel bem maior e acima do que dar conta, simplesmente, do seu quintal.

as economias de escala e a simplificação dos processos, inclusive os de controle, são óbvios. a dificuldade de implementar tal estratégia em um país como o nosso também é óbvia. seria mais fácil primeiro levar todo mundo a um nível mínimo de proficiência e, depois, fazer um processo de seleção não natural. mas esta seria a forma certa, também, de perdermos esta década fazendo o que os outros países fizeram na década passada.

com tanto poder e capacidade de articulação e alinhamento à disposição do TCU, bem que o tribunal poderia agitar o cenário um pouco mais e fazer com que as “TICs” federais gastassem bem menos e fizessem bem mais nesta década, evitando a duplicação de sistemas e equipes e, ainda por cima, um aumento significativo da informatização do caos.

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

dez tendências tecnológicas nos negócios [6]

a combinação de TICs para sustentabilidade e a própria sustentabilidade de TICs vai ocupar uma boa parte da “agenda sustentável” dos negócios, no futuro próximo. é isso que vamos discutir aqui, hoje, dando continuidade a uma série sobre um relatório da mcKinsey que aponta as dez principais tendências tecnológicas nos negócios nesta década.

as tres primeiras tendências [criação colaborativa, negócio = rede, colaboração em escala] apareceram no post inicial, neste link. no segundo texto, neste link, falamos da “internet das coisas” e, no texto anterior, sobre “big data” e experimentação. hoje, a conversa é introduzida pelo slide abaixo, de uma palestra do autor na CNI, em são paulo, cuja íntegra está neste link

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ao invés de considerar o impacto de TICs corporativas na sustentabilidade [ambiental] do negócio, vamos considerar aqui a faceta de sustentabilidade das próprias TICs no negócio, que também é uma preocupação essencial. TICs são, claro, muito importantes em todas as facetas de sustentabilidade, desde controlar gastos e excessos a redefinir certas infraestruturas, como vai ser o caso de eletricidade e “smart grid” e, mais perto dos negócios, da internet das coisas e seus impactos. sobre este último ponto, veja, neste blog, SPIMES, everyware, spimeware e um campo informacional global. me atrevo a dizer que as empresas que desconsiderarem a grande ordem de magnitude das mudanças que serão causadas pela internet das coisas no contexto de seus negócios vão ter sérios problemas nestas duas décadas.

mas, voltando ao foco que decidimos dar a este texo, watts humphrey, notável engenheiro da IBM e depois do SEI, na university of carnegie mellon, decretou anos atrás que “seja qual for seu negócio, você está no negócio de software”. humphrey não estava dizendo que as empresas eram ou seriam fábricas de software, mas que, à medida em que todos os processos e métodos das empresas iam sendo codificados em software, a importância dos sistemas de informação para os negócios se tornaria fundamental.

a “sentença” de humphrey foi dita há quase uma década, quando as empresas estavam saindo do bug do milênio e tiveram que revisar, cada uma, quase todo o software que servia de esteio aos seus processos de negócio. de lá para cá, o uso cada vez mais intenso de metassistemas corporativos como os de ERP e CRM diminuiram o esforço de “escrever” uma empresa em software, talvez de impossível para muito difícil.

mesmo assim, escrever os sistemas de informação de um negócio e cuidar de sua manutenção ao tempo em que tudo, do mercado a fornecedores e clientes e até a própria empresa mudam, o tempo todo… gasta uma energia [e recursos] que podem por em risco a sobrevivência do negócio. daí este texto, relacionando a tendência da mcKinsey [sobre TICs e sustentabilidade em geral] aos problemas de equilíbrio entre investimentos e resultados associados a TICs nos negócios.

não faz muito tempo, as empresas não tinham alternativas a não ser escrever, elas próprias, a empresa em software. na melhor das hipóteses, isso era [ou melhor, é] terceirizado para um alguém que o faz para a empresa, o que deixa o pessoal do negócio, em tese, se concentrar no negócio propriamente dito, ou seja, nos processos de negócio que realmente fazem da empresa o que ela é. como se não bastasse, era a própria empresa que rodava seu software, tendo que manter seus próprios centros computacionais, como muitas fazem até hoje.

é mais ou menos como cada corporação, ao depender de eletricidade para tudo, fizesse um de tudo para tê-la, das licenças ambientais para gerar energia até operação de um negócio separado de “força e luz”, que a provê ao negócio principal. nada surpreendente que se gaste tanta energia [!], nos negócios, para alinhar o que se chama de TICs [tecnologias de informação e comunicação] ao “negócio” propriamente dito.

acontece que TI nos negócios é muito mais que hardware e software. um outro slide, de uma outra conversa, mostra do que estamos falando…

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na coluna da esquerda, a imagem acima mostra o substrato que resulta, na economia, sociedade e empresas [e para as pessoas, em particular], em comunicação: o lado esquerdo representa a a internet, responsável pela conectividade do planeta, que vem a ser uma infraestrutura [cabos, servidores, roteadores, satélites…], sobre a qual se situam serviços [como SMTP, um protocolo para emeio] que suportam aplicações… como emeio, por sinal, que resultam em processos de comunicação. pegue seja lá o que acontece por causa da internet e dá pra explicar, de maneira abstrata, desta forma.

do lado direito, de baixo para cima, temos a pilha de níveis que leva à informatização dos negócios: na base, computação, comunicação e controle, sendo que comunicação é toda a pilha da esquerda, pra começar; e na base da pilha está todo o hardware, tudo o que você possa imaginar que processa informação [de forma física] e, ligado na tomada, “dá choque”.

a menos que seu negócio seja muito especial, nada do que ele usa neste nível é feito por ou precisa estar sob seu controle, sendo de sua propriedade e rodando dentro de um prédio seu; tanto quanto a infraestrutura de internet, a base da pilha pode e deve estar em qualquer lugar, sob certas condições contratuais de qualidade e performance de serviço. só pra lembrar, emeio, não por acaso, está aí…

sobre esta fundação, está o software básico, como sistemas operacionais, bancos de dados, servidores web e firewalls: de novo, nada disso é de sua conta, a menos que você esteja em um negócio especial como google, facebook, microsoft, totvs ou amazon. o negócio destas empresas é software e elas têm tudo a ver com este nível. você, não; se sua empresa não está –explicitamente- no negócio de software, seus processos de negócio devem ser sua principal preocupação e foco de investimento e ação e, só se for absolutamente necessário, você deve se preocupar com o nível de acima do software básico, que seriam as aplicações [ou, em termos da década de 70-80, o software aplicativo…] que sustentam diretamente seus processos de negócio.

aí estamos começando a chegar no que realmente interessa: se meu negócio não é de software e se é diferente –e se não quero ou não posso torná-lo diferente- da competição, tenho que procurar “sistemas” ou “aplicações” que me deixem a maior parte do tempo para tocar meus processos de negócio e não coisas que comecem a tomar o precioso tempo que eu teria para tocar o negócio para, ao invés, cuidar de TICs.

houve uma época em que “ter” e “rodar” sua própria base de hardware e desenvolver todo seu software em  casa era um imperativo do negócio. ou se fazia isso ou nada saia como se queria. ou, talvez, nada saia e ponto. era mais ou menos como, muito tempo atrás, ter que gerar sua própria energia elétrica, sem o que seu negócio não “rodava”. aliás, foi por isso que delmiro gouveia entrou no negócio de geração e distribuição de energia elétrica…

hoje, a sustentabilidade do negócio e de TICs no negócio depende, quase  essencialmente, de uma dedicação ferrenha à execução-como-eficiência focada nos processos de negócio, sem o que toda a casa corre o risco de se perder. TICs sustentáveis, no negócio, são aquelas que dão conta dos processos de negócio correntes com tanta eficácia e eficiência quanto possível, ao mesmo tempo em que servem de base para os processos de execução-como-aprendizado [a inovação, no negócio como um todo] de forma tão leve e rápida que for possível.

caso estas duas condições não sejam atendidas, nem TICs, no negócio, é “smart” e sustentada nem o negócio, provavelmente, é sustentado. lucro, então, nem pensar. tal insustentabilidade parece ser o caso de um bom número de empresas [e instituições de todos os tipos, como prefeituras] que ainda escreve todo o seu software, perdendo energia e tempo em construções e usos que deveriam ser absolutamente padrão nos negócios, públicos inclusive.

pense em quase cada prefeitura brasileira [entre as que têm a capacidade de cobrar impostos] escrevendo o software que gerencia seu IPTU e ISS. isso certamente teria que ser o caso quando a indústria de software propriamente dita não tinha conseguido elicitar um repertório padrão para resolver os problemas de classes inteiras de indústrias ao ponto em que, até muito recentemente, cada empresa ter mesmo que ter seu próprio centro computacional. isso porque não havia rede em quantidade e qualidade suficientes para depender de centros remotos e não havia tecnologia [de software] para tratar capacidade computacional como módulos padronizados, comoditizados, passíveis de serem agregados e fornecidos como serviço e bilhetados por volume de uso.

observar a evolução da pilha de TICs que sustenta os processos de negócio, na figura anterior, e redesenhar TICs nos negócios, fazendo o melhor uso das capacidades padrão existentes no mercado, experimentando de forma leve e rápida para criar o que não existe [no nível das aplicações] e que vai sustentar novos processos de negócio é parte essencial da agenda de sustentabilidade de TICs em qualquer negócio.

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

imbroglio: TRT aumenta o risco para empresas de TICs

Tags:, , , , - srlm às 01:21

imagine-se uma fábrica de software. um dia, você tem contratos, no outro não. uma das formas de gerenciar seu risco é, ao ganhar um projeto, só aumentar sua força de trabalho numa proporção que você acha que vai ser sustentável ao fim do contrato. esta é uma realidade óbvia em empresas que dependem de projetos, que por sua vez dependem dos humores da economia.

você tinha 200 colaboradores, ganhou um negócio que vai precisar de mais 100 pessoas para executar, mas sua noção de risco lhe diz que seria muito prudente aumentar o tamanho de sua galera em apenas 20%, ou quarenta engenheiros de software. a solução natural, mundial, é terceirizar os outros 60. você não fica com o lucro inteiro, mas diminui muito o seu risco, irriga os cofres de seus parceiros, gera empregos e diversidade, e todo mundo cresce junto.

ainda mais, pode ser que, no projeto, uma boa parte das competências “de software” necessárias para realizar o projeto não sejam específicas de sua empresa ou, mesmo que correlacionadas, você não queira tornar-se competente nelas, pois isso tiraria sua empresa de foco, dispersando energia, em última análise perdendo competitividade.

como se disse, é assim que o mundo funciona. o mundo, mas não o brasil. aqui, cada vez mais, são os TRTs que definem como as empresas têm que funcionar. são os TRTs que definem o que é e o que não é competência essencial das empresas, o que pode ser subcontratado a outros negócios ou não.

uma das principais competências da índia, em TICs e serviços intensivos em TICs, é o que se chama, por aqui, de call center, a galera especializada em –pelo menos em tese- resolver os problemas dos usuários de uma instituição qualquer. ligue pra uma grande empresa americana e, se a [ou o] telefonista atender… será alguém na índia. atender o telefone [mas não só], como terceirizado, agrega renda e valor na índia, onde se criou uma economia de serviços altamente especializada que, juntamente com a de desenvolvimento e manutenção de software, soma US$47B à economia do país e emprega dois milhões de pessoas. muitas milhares das quais [principalmente em software] trabalham para empresas brasileiras: no brasil, terceirizar para o brasil é um grande risco; para a índia, não. isto é incrível.

e isso ocorre nas empresas médias, grandes, gigantescas e diminutas: dia destes conversei com um startup que, vacinado pelos custos e riscos trabalhistas de outras criações de seus empreendedores, tem todo o seu desenvolvimento de software na… polônia. tudo pela web, por encomenda, tudo andando bem, mas nenhum emprego gerado no brasil. à medida que mais empresas descubram como é simples e efetivo fazer isso, perderemos cada vez mais bons empregos… e isso pode não estar muito longe.

a indústria de TICs e serviços habilitados por TICs, na índia, pensa muito mais alto: em 2020, quer ser 6% do PIB do país e 28% de suas receitas externas, empregando de forma direta e indireta 30 milhões de pessoas. e pode pensar em muitas dezenas –ou centenas- de milhares trabalhando para empresas brasileiras, em empregos que poderiam –e talvez deveriam- estar aqui.

mas terceirizar o que você acha, pelo seu entendimento do negócio, pela sua capacidade de tocá-lo, pode ser muito complexo nestas nossas terras. sem nem entrar no mérito da decisão [dado que o autor não tem a competência], veja esta notícia: o TRT das minas gerais decidiu que todos os 4.000 profissionais de atendimento que trabalham para a TIM por lá devem, a partir d’agora, ser contratados diretamente pela empresa. a TIM deve ter um plano de negócios, sem a menor dúvida; se entendesse que o atendimento era uma função necessariamente interna, assim ela seria. mas não, no brasil quem decide o que é ou não essencial ao funcionamento das empresas são os TRTs.

além de ter que contratar os quatro mil, a TIM está condenada a pagar uma multa de R$6M por “danos à coletividade” e multas de adicionais de R$2M para cada caso de descumprimento da decisão do TRT. o imbroglio deve parar no TST e deve servir de exemplo, na decisão final, para o setor. a indústria de call centers, responsável por muitas centenas de milhares de empregos em todo o país, vai aguardar ansiosamente o resultado.

mude o cenário e, agora, imagine a APPLE. a empresa de steve jobs deve lançar uma megaoperação no brasil, em agosto, vendendo tudo. como é bem sabido, a APPLE não fabrica nada, e há muito tempo. como vai importar para vender aqui, o que e como ela faz está fora da jurisdição local, indiscutivelmente. mas… e se resolvessem fabricar o iPhone ou o “novo tablet” aqui, ao invés de taiwan?… será que algum TRT iria se meter no plano de negócios da empresa e exigir que ela contratasse funcionários próprios para fabricar seus modelos no país? a usar o mesmo raciocínio deste caso dos call centers da TIM, é muito provável. até porque a contribuição dos fabricantes, para os negócios da APPLE, é bem maior do que a dos atendentes ao negócio da TIM. exemplo? a foxconn teve um papel muito relevante no design e engenharia do iPhone, além de ser o fabricante. usando as regras do caso que estamos discutindo, o trabalho não poderia ser terceirizado, no brasil, pois desenhar e realizar a engenharia do sistema seria uma competência essencial da APPLE.

no mundo, o que é uma competência essencial? é o que eu sei fazer, ou consigo aprender a fazer, no tempo que eu tenho para fazer, se conseguir fazer a custos competitivos, que mantenha a minha empresa no mercado, gerando receita, renda, trabalho, empregos e impostos. não é o que pensam os TRTs. talvez nós estejamos usando, por aqui, os conceitos do trabalho do começo da revolução industrial, onde o empregado era sempre [e na maioria dos casos era mesmo] explorado pelo empregador e foi necessária [e essencial] um ordenamento das relações entre o capital e o trabalho, para garantir uma sociedade sustentável.

um número de tais regras centenárias continua sendo essencial ao trabalho nos nossos dias [pense férias!]… mas o mundo mundou, muda cada vez mais rapidamente e o brasil, ao continuar com o estado tutelando, em excessos gritantes, não só as relações de trabalho e emprego mas também as decisões –em casos como este- de negócio das empresas, aumenta muito significativamente o risco de se empreender no brasil e, em última análise, age contra o interesse to trabalhador.

se o estado imagina que, quanto mais microgerenciado, mais emprego o mercado vai gerar, se engana redondamente. todas as evidências apontam para o contrário.

no caso dos call centers, é só esperar angola e moçambique se conectarem à internet, de verdade e em larga escala, e começar e mandar pra lá os empregos que [parece que] não queremos aqui. aliás, se há uma coisa que não dá pra entender é como estes dois países, pobres e empenhados em gerar empregos em massa, não entenderam como podem ser a índia… do brasil.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

TICs: lá fora, mais de cem mil na rua. aqui, falta gente.

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techcrunch resolveu montar uma lista dos anúncios de demissões na indústria de tecnologias da informação e comunicação [e correlatas] baseada no mundo [ao alcance deles], e lançou o techcrunch layoff tracker, que dá conta [até o dia 10/12] de 280 eventos que causaram a demissão de mais de 104.000 pessoas, da last.fm [280 em londres] à nxp [4.500, na holanda], passando por companhias em israel, índia, canadá, ao redor da europa e por negócios como a xerox, que estão demitindo no mundo inteiro. a lista, aliás, é informal e imprecisa: as demissões da nxp, por exemplo, foram anunciadas na holanda mas estão rolando no mundo inteiro. as demissões de temporários e terceirizados e os 1.500 demitidos de yahoo ainda não estavam lá no dia 11/12.

no brasil, por outro lado, continua faltando gente. empresas de TICs, de norte a sul, têm vagas em aberto e não há gente, em qualidade e quantidade, para preenchê-las. esta talvez fosse uma excelente oportunidade para  o brasil desligar um pouco nossa xenofobia e incentivar a migração, para o país, de especialistas de fora. segundo a lista de techcrunch, cerca de 1.500 demissões foram anunciadas, nas últimas semanas, só em israel. e o mercado de trabalho, por lá, não tem uma elasticidade muito grande. a mesma coisa vale para muitos países europeus que enfrentam ondas de demissões, como a finlândia, onde apenas a nokia já demitiu 600 pessoas.

se o brasil tivesse uma política agressiva para capital humano, esta era a hora de atrair uma parte deste povo pra cá. são pessoas competentes, que falam inglês fluentemente [uma das principais deficiências do nosso capital humano], que fazem negócios pelo mundo inteiro [outra de nossas incompetências...] e que estão, a partir d’agora, atrás de uma boa oportunidade pra recomeçar suas vidas.

há uma crise radical no mundo, não há o que esconder. mas boa parte da solução, do futuro, vai vir de países emergentes como o nosso, que ainda têm muito o que fazer pra estarem prontos até para o presente, sem nem pensar no futuro. são dezenas de milhares de empresas sem informática competente; milhares de cidades sem internet ou celular; governos estaduais, municipais e parte do federal ainda sem a informática que deveriam ter… um país inteiro para construir, que continuaremos construindo na crise, como sempre fizemos. para isso, precisamos de gente.

e informática, hoje, está na base de tudo. de plantar feijão a lançar foguetes. é hora de uma política de vistos de trabalho e incentivos para trazer técnicos, engenheiros, pessoas de negócio, do mundo inteiro, prá cá. já fizemos isso antes e deu muito certo. não é à toa que comemoramos, este ano, os cem anos da presença japonesa no país. mas precisamos fazer mais, muito mais. trazer pessoas prontas, nas quais não investimos um centavo sequer em formação e capacitação, gente que está e vive no mundo, principalmente gente de TICs, para o brasil, agora, talvez seja a grande oportunidade do século. se soubéssemos fazer isso rápido, teríamos muito o que comemorar daqui a 100 anos.

 

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

TICs em tempos de crise: pressa vs. desespero

Tags:, , , , , , - srlm às 07:00

o planeta está em recessão, as empresas estão apertando seus orçamentos e, sempre que isso acontece, a tendência é cortar no que se chama "áreas-meio", ou seja, tudo o que não está diretamente ligado às funções e operações que a empresa realiza para se manter viva, para sobreviver. e sobreviver em tempos de crise não é fácil.

e o danado é que, em tempos de economia da informação, onde "toda empresa é uma empresa de software" [frase de watts humphrey, autor de winning with software] e onde a infra-estrutura de informação e comunicação do negócio pode ser justamente o local onde sua sobrevivência será decidida, há quem comece os cortes por lá, porque, afinal… TICs é "’área meio". não, não é. faz tempo que não é. TICs [sigla para tecnologia da informação e comunicação] é parte essencial da estratégia e execução de qualquer negócio que tenha algum futuro, é o motor de qualquer tipo de empresa. pensar num negócio sem uso competente e estratégico de TICs, agora, é o mesmo que imaginar, trinta anos atrás, fábricas sem eletricidade, movidas a cavalos reais ou rodas d’água.

a mckinsey publicou recentemente um pequeno texto sobre estratégias para TICs em tempos de crise, e vale a pena ler, com calma, os pequenos recados que a grande casa de consultoria, baseada em sua larga experiência em crises anteriores a esta, nos dá. são só seis páginas, é gratuito [mas você tem que criar um login no site deles].

it-in-a-downturn-mc-kinsey.jpg

o artigo se chama managing IT in a downturn e seu resumo é bem simples: 1) As the economic slowdown intensifies, companies are looking for ways to cut costs, and IT budgets are a prime target [cortes de custos, na crise, têm TICs como um dos primeiros alvos]; 2) Rather than implement across-the-board cuts, managers should take a more integrated view of how IT is used throughout the business [ao invés de cortes homogêneos, a gestão deveria entender como TICs são usadas em todo o negócio] e 3) Targeted IT investments can make operations more efficient and increase revenues, delivering returns larger than simple cost-cutting measures typically do [mesmo na crise, investimentos pontuais em TICs podem tornar o negócio mais eficiente, aumentar receitas e dar melhores resultados {e margens maiores} do que as medidas mais triviais de cortes de custos normalmente conseguem].

simples, quase trivial. mas dificilmente feito, na prática, porque as corporações, em tempos de crise, emburrecem muito. até porque as crises criam urgências e urgências exigem respostas rápidas. e uma resposta rápida, burra e fácil de implementar, sempre, é cortar homogeneamente, em todo lugar. sem se perguntar se, no meio da confusão, não seria melhor investir exatamente onde outros estão cortando.

mas, se a gente pensar bem, crises exigem pressa. e não desespero. desespero aprofunda a crise, quase sempre. e a diferença entre o apressado e o desesperado é que, apesar de ambos saírem correndo atrás de respostas na mesma velocidade, o apressado tem um plano.

mesmo que seu negócio seja uma bodega, farmácia, mercearia, apresse-se e vá ler o texto da mckinsey [entre outros]. se for um médio ou grande negócio, leia também. em qualquer caso, pense duas vezes antes de cortar justamente as raízes do seu negócio. porque, como já se disse aqui… toda empresa é uma empresa de software.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

nasdaq [e TICs] em tempo de crise

a temperatura da nasdaq, a bolsa onde são negociadas as ações das empresas de tecnologias de informação e comunicação, anda elevada. dia 30 de setembro, as ações google deram um tilt e chegaram a ser negociadas por US$250, o que foi depois atribuído a "ordens erradas" e expurgado do pregão. quando tudo vai mal, tudo fica ainda pior. o que mesmo está acontecendo no setor? nos últimos três meses, quando a crise financeira americana foi mesmo para o fundo do poço, a bolsa nasdaq caiu cerca de 10%. pra você comparar, a bovespa caiu 20% no mesmo período. apesar do que diz a propaganda governamental [e boa parte da mídia nacional], eles espirram por lá e a gente tem que se limpar por aqui. mas vamos voltar a tecnologia propriamente dita, olhando pro gráfico abaixo, cortesia de yahoo finance.

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a linha azul é google, que está em seu menor valor desde 2006, abaixo de US$400 e prometendo migrar para a linha de US$350; perdeu 22.5% em três meses [e vale perto da metade de seu pico]. recessão significa menos anúncios, no topo de todas as dúvidas que pairam sobre o modelo de negócios da companhia. a linha verde é a intel, com quase 15% a menos; recessão significa menos chips vendidos. a linha marrom é a própria nasdaq, com a depressão mais à direita no gráfico correspondendo ao dia em que o congresso americano não aprovou a proposta original para salvar as instituições financeiras. neste único dia, o valor que desapareceu das companhias de tecnologia foi de mais de US$110B.

a linha vermelha é a amazon, que sofreu em relação a agosto, quando valia 20% a mais do que hoje. aparentemente, mais recessão siginifca menos vendas [de livros, também]. a linha amarela, bem perto da perda zero, é a microsoft. significa que, crise ou não, a empresa venderá mais windows e office? não: quer dizer que a microsoft está muito bem estabelecida no mercado e que, mesmo depois das correções da economia, o mundo vai continuar funcionando. a empresa está na bolsa desde abril de 1986 e vale, hoje, 30.000% a mais do que no seu primeiro dia na nasdaq. a ibm, que já estava na bolsa quando a microsoft chegou, vale umas três vezes mais.

sobre a crise, ouça steve ballmer, o CEO de redmond: "We have a lot of business with the corporate sector as well as with the consumer sector and whatever happens economically will certainly effect itself on Microsoft… I think one has to anticipate that no company is immune to these issues… There are parts of our every business which are probably ’safe’ in the sense that it’s not like our business would go to zero… On the other hand, when businesses have less money -they can borrow less money, they can spend less money- that can’t be good." em suma? a economia afeta a microsoft; quando os negócios têm menos dinheiro e gastam menos, isso não pode ser bom para ninguém. até aqui em pindorama parece que tal análise tá pegando… inclusive na propaganda governamental.

no encantado mundo de google, por outro lado, eric schmidt, que toca o barco, diz que "o negócio continua como sempre", bem ao estilo da companhia e do silicon valley. mas… todo mundo concorda que a janela para IPOs, o primeiro lançamento de ações das companhias nas bolsas, tá fechada. e que vamos ter uma start-up depression, ou seja, quem tem investidor vai provavelmente perder se não estiver muito perto de se tornar negócio de verdade; quem está dizendo que já conseguiu um está muito provavelmente enganando a si mesmo e quem não tem… bem… que tal fazer um ótimo, ao invés de bom, plano de negócios? com um protótipo que já pareça muito com a coisa que vai vender antes de falar com os investidores e se preparar pra muita, mas muita conversa antes de ver qualquer dinheiro?

seja lá qual for seu caso, se anime: até agora, o mundo não acabou, tanto que a internet continua ligada e acessível. meu primeiro sinal de fim de mundo -ou da civilização como conhecemos- é a internet saindo do ar, razão pela qual sempre acho que meu provedor é o fim do mundo. mesmo que acabe, temporariamente, pra você, saiba que o empreendedor de verdade sempre tem cartas na manga, mesmo que use t-shirts. e veja uma lista de companhias que foram para o espaço no .bomb [em 2000/1] e o que seus empreendedores estão fazendo hoje. e confirme que o verdadeiro empreendedor sempre volta a empreender, como se empreendedorismo fosse um tipo, talvez incurável, de neurose.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

crise? que crise?

Tags:, , , , - srlm às 01:21

enquanto parte da indústria de tecnologias de informação e comunicação [TICs] avisa que a crise financeira pode muito bem afetar seus resultados, o que tem tido um impacto sobre o valor das empresas, parece que não há sinais de diminuição da demanda por capital humano competente em TICs.

é coisa pra se duvidar, já que o tamanho do socorro americano à indústria financeira de lá vai chegar perto de US$700B. e isso vai ser a maior conta pública de todos os tempos em qualquer país, guerras e desastres fora. a insolvência de wall street é da ordem de magnitude de uma grande guerra; a do iraque já custou aos cofres americanos perto de US$600B e as estimativas são de que poderá custar pelo menos três trilhões de dólares.

mesmo diante de um pipoco de tal ordem de magnitude, não há sinais de que o mercado de trabalho de TICs esteja sendo afetado, pelo menos até agora. um relatório publicado logo antes do fim do mundo, que foi notícia na AP, diz que "Overall technology employment is up in America and the wages associated with it are up",  segundo a forrester research. ou pelo menos o mercado de trabalho de TICs tinha esta cara no dia 5 de setembro.

bank-trading-room-440.jpg

apesar da apreensão geral, não há sinais de mudança radical até agora. em boa parte, pode ser porque, apesar do menor número de bancos, por causa das fusões e aquisições em andamento, os reguladores americanos e mundiais quase certamente vão exigir maiores níveis de controle sobre as ações e instituições do setor financeiro.

e como todo negócio, hoje -e principalmente nos mercados de capitais- é software, vai ser preciso mais software e gente pra escrevê-lo e mais hardware pra rodar tudo e gente de suporte pra manter as coisas no ar. mesmo se alguém se encontrar no olho da rua, um analista do setor lembra que"if you’re really good in IT, you won’t be on the street for very long".

 

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sábado, 23 de agosto de 2008

nosso [olímpico] apagão humano

Tags:, , , , - srlm às 18:46

"Vivemos um verdadeiro apagão humano. Esse é um tema que precisa ser discutido pelas empresas, fornecedores e universidades". a constatação é de wilson marques, da priceWaterhouseCoopers, feita na FGV-EAESP na sexta passada. segundo marques, que é sócio da área de BPO [business processing outsourcing, terceirização de processos de negócio] da PWC, a empresa tem que investir 2.000 horas para formar cada contratado, em governança e automação de processo e de negócios.

o apagão detectado por marques e pela PWC não é novidade e tampouco pontual: trata-se de um resultado construído por décadas de negligência no trato do que qualquer país tem de mais precioso, seu povo. nosso investimento em educação não passa nem perto da demanda nacional por quantidade e qualidade de engenheiros e, principalmente, técnicos. optamos pela educação fácil, nos cursos que não precisam de laboratórios, como se ainda fôssemos o país de bacharéis que um dia fomos [no império...]. e que talvez ainda sejamos, por não termos feito o que [para citar uns poucos] rússia, coréia, china e índia fizeram, atraindo seus jovens para as profissões que precisam de matemática, lógica, química e física, que resultam em formação que constrói as coisas, sistemas e serviços que compramos do mundo. resultado? marques [e o setor de software] não tem técnicos; e, quando consegue, tem que investir milhares de horas de educação, por contratado, para fazê-lo chegar no nível de exigência de suas empresas.

e as universidades, a quem marques apela? as melhores, olimpicamente, ignoram a demanda da realidade ao seu redor. usam o argumento de "formar com base, para o futuro", como desculpa para não dar aos seus alunos a combinação de formação teórico-prática de que o país e suas empresas precisam. sobre as piores escolas, há pouco a dizer. mas há as médias, entre as melhores e as piores, as que deveriam estar formando para empregabilidade, agora, no mercado de trabalho real onde o brasil pode ocupar um vasto espaço econômico no mundo. para estas, ao invés de se reclamar o cumprimento de um preceito difuso, do lado da oferta, de "indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão", os órgãos reguladores deveriam criar um mercado de escolas de formação para empregabilidade e cobrar-lhes resultados do lado da demanda. marques, a PWC e as empresas todas, com muita razão, querem pessoas que saibam, na prática, o que seus diplomas dizem que elas deveriam saber, em tese. ou seja, querem que o sistema de formação produza conteúdo e não diplomas.

street-dog.jpga frase de marques, quase no fim da olimpíada, é reforçada pela nossa, digamos, performance olímpica. lá em beijing, tendo que competir com o mundo [e não no pan, no rio, onde quase ninguém veio...] nossa equipe parece uma matilha de vira-latas, com as sempre raras e pouquíssimas exceções, os cielo, maggi, scheidt e muitos poucos outros. a grande exceção à regra é o vôlei, não por acaso resultado de um sistema de seleção, formação e preparação para criar resultados de classe mundial, que quando não chega no ouro [como as meninas, no sábado, e talvez os homens, neste domingo] está sempre lá, sempre competindo, contra tudo e todos, sem medo de cara feia, brigando pelo primeiro lugar. com rosto, expectativas, olhar, preparo e competências de mundo.

para resolver nosso apagão olímpico, precisamos melhorar o sistema de educação como um todo, descobrindo atletas lá na base, selecionando, treinando, criando oportunidades de competir com os melhores, em todos os lugares do mundo. para resolver nosso apagão humano, em tecnologias da informação e comunicação, a receita não é muito diferente: precisamos melhorar a formação de matemática na base da pirâmide; precisamos trazer lógica para o currículo, precisamos de laboratórios de física e quimica nas escolas, temos que universalizar o acesso a internet para alunos [na escola] e professores [nas suas casas, inclusive] e temos que tratar professores e alunos como o futuro da nação.

dia destes me pediram para contribuir para a feitura de um índice que medisse a qualidade da educação no brasil. a idéia era completar a frase "educação básica, no brasil, será um problema resolvido quando…" e meu complemento foi… "quando nenhuma professora primária no interior estiver ganhando menos do que um motorista de ônibus na capital". simples. porque todo mundo funciona dentro de um universo de incentivos. você pode até querer muito uma medalha olímpica e, mesmo sem um sistema, tornar-se um herói e conseguir uma, como o ouro de maggi. mas, sem sistema, como querer que atletas olímpicos que ganham salário mínimo [como a goleira da equipe feminina de futebol] estejam consistentemente no topo do mundo? eles precisam pagar contas, como todos nós. ela, a goleira, que é de recife e vive aqui, talvez possa se dar muito melhor [na vida] como motorista de ônibus [aqui, o piso é R$1.140]. talvez a minha frase sobre educação também valha para os atletas…

os vira-latas de beijing, resultado de acasos, sem apoio de um sistema estruturado para levar brasileiros aos pódios do mundo, tem um paralelo no mercado de trabalho: são muitos os brasileiros correndo atrás de trabalhos que existem, mas para os quais a larga maioria dos que têm diploma [e estes são muito poucos, em relação ao total] não têm o menor preparo prático, para a vida real. resultado? na olimpíada do mercado, que rola todo dia, dia e noite, no mundo, passamos ao largo do pódio do conhecimento e somos, cada vez mais, um país de commodities. como no império. e aí o negócio talvez seja, mesmo, formar bacharéis… e esquecer o trabalho e as medalhas.

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sábado, 5 de julho de 2008

descolagem@nave: vídeo

Tags:, , , - srlm às 19:07

estive [via rede, a partir de recife e economizando meus créditos de carbono...] no descolagem, evento conduzido por beto largman no nave rio, no debate sobre as tecnologias da informação e comunicação e seus impactos na sociedade. minha contribuição está no goovid abaixo. é só clicar.

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Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol