Terra Magazine

04.05.09

IRPF: hora de inovar, de novo

semana passada foi o fim da temporada do imposto de renda. o conjunto de infraestruturas e sistemas que permite mais de 25 milhões de brasileiros declararem, online, seu ajuste de contas com a receita é um dos mais bem sucedidos exemplos mundiais de governo eletrônico. só os mais velhos, que tinham que enfrentar [além das alíquotas] os formulários de papel e a fila, confusão e carimbos do sistema bancário sabe do que a gente tá falando.

e olhe que governo eletrônico não significa o fim da burocracia. muito pelo contrário: se quem está do lado de lá –o governo- se confundir, os do lado de cá –cidadãos, contribuintes, empresas- podem ter muito mais problemas do que tinham com o velho sistema papel-caneta-e-carimbo. neste aspecto, o brasil é campeão: o peso da nossa burocracia, nos negócios e na vida das pessoas, é quase quatro vezes maior do que cingapura.

mas, no caso do IRPF, houve competência e sorte do lado do governo. declarar imposto de renda no brasil, hoje, é muito simples, mesmo com a parafernália de regras que temos por aqui. como não simplificaremos as regras, no médio prazo pelo menos, está na hora da receita federal inovar [de novo!] e simplificar, radicalmente, a declaração do imposto.

charge de ivan cabral; clique na imagem para visitar o site dele

como? a receita bem que poderia disponibilizar, em seu site, o que ela acha que já sabe sobre nosso passado fiscal recente. de posse do cpf, do recibo da última declaração [fechada] e, caso se ache necessário, de uma assinatura eletrônica [não acho que precisa tanto…] a gente pegaria, no site, o formulário juntamente com os dados que a receita já reuniu, durante o ano, sobre nossa vida fiscal.

de posse desta pré-declaração, tudo o que faríamos seria concordar ou discordar da receita e acrescentar –se fosse o caso- coisas que, por um ou outro motivo, ela ainda não sabe [e vai, não se engane, saber, mais cedo ou mais tarde], ou não confere com o que fizemos. aí a nossa vida, e a da receita, iria ficar muito mais fácil.

é possível? sim. é difícil? não. enquanto o ano se desenrola, a receita já acumula dados de empregadores, empresas, profissionais liberais, todo tipo de negócios e pessoas. nestes dados, já estamos nós e nossas receitas e despesas. ainda por cima, não se muda de emprego todo ano, por exemplo; há uma chance muito boa de que o cnpj de sua principal fonte de renda, ano que vem, seja o mesma deste ano. da mesma forma, filhos não mudam de escola como de camisa; não só a receita poderia deixar no meu arquivo o nome e o cnpj da escola das crianças, se não quisesse me dizer quanto ela acha que eu paguei à escola… mas ela sabe, ao fim do ano, quanto meu cpf transferiu para o cnpj da escola. e eu só teria, se ela me dissesse, que confirmar tal número. ou não.

o mesmo raciocínio vale para um sem número de situações. ninguém se separa e recasa todo ano, troca de médico, de carro, de casa… todo ano. ou seja, a vida das pessoas não sofre uma revolução fiscal em pouco tempo. e todas aquelas que passam por tal alteração caem, como não poderia deixar de ser, na malha fina do leão, até que provem o contrário.

uma parte dos dados, como o endereço, dependentes e bens, já fica armazenada na minha declaração anterior, que é importada para a declaração corrente. mas isso é muito pouco e meu risco é muito alto. quanta gente não perde seu disco, tem o laptop roubado, quantas situações de perda de dados podem ocorrer, entre uma e outra declaração?…mas a receita pode fazer mais, muito mais do que nos entregar, a cada fim de ano, um arquivo contendo o que ela acha que já sabe sobre nós.

pode estar na hora da receita prover, para quem quiser, um IRPF online, como serviço. e não só: em tal serviço, eu deveria poder acompanhar, à medida que passam os meses, como estão ficando meus acertos com o fisco. desta forma, a minha declaração de ajuste [que é o que entregamos na semana passada] seria só de ajuste mesmo, final. seria uma operação muito mais simples do que fazemos hoje, quando temos que entrar dezenas [pra quem tem pouca coisa a declarar] de documentos e passá-los todos pelo crivo do software da receita, em uns poucos dias.

ao mesmo tempo, construir a declaração de rendimentos e ajuste no correr do ano seria mais justo, mais democrático, mais eficiente, eficaz e prático para todos… menos para os sonegadores, que passariam a viver em um ambiente fiscalizado mais de perto e em tempo mais real.

parte deste ambiente, por sinal, está sendo construído no país inteiro, pela via de instrumentos como notas fiscais eletrônicas, que acabam com os velhos blocos impressos, aumentam a confiabilidade da nota, a capacidade de fiscalização e diminuem as possibilidades de sonegação. em pouco tempo, todas as empresas terão que, necessariamente, emitir nota fiscal eletrônica. o que significa que, seja lá o que estivermos pagando, a receita [municipal, estadual e federal…] saberá. na hora. no menor detalhe, tipo big brother fiscal.

ora, diríamos eu e você: me contem fora dessa. mas não dá mais. estamos vivendo um processo antigo, continuado e cada vez mais intenso de virtualização da economia. pode haver cada vez mais dinheiro na rua; mas cada vez menos dinheiro circula usando sua representação clássica de papel-moeda. a moeda, que é um virtual, representante do poder de compra, está sendo virtualizada de vez: deixa de ser metal, papel e plástico e passa a ser informação, pura e simples, registro de transação em [muitos, de preferência] sistemas de informação espalhados pela economia.

imagea receita federal tem competências tecnológicas e humanas para fazer até mais do que se sugere aqui. muito mais. mas já seria muito bom se, na minha declaração de ajuste de 2010, eu e outros vinte e tantos milhões de brasileiros pudéssemos começar a partir do que ela já sabe sobre as nossas contas. tudo muito mais simples e objetivo, governo eletrônico para pagadores de imposto que recolhem [aqui] como os do primeiro mundo e merecem tratamento de primeira classe.

e a história, ou o plano, do IRPF “como serviço”, conferido, preenchido e corrigido online, durante o ano inteiro, todo dia que quiséssemos, poderia ficar para 2011. a receita sabe e pode fazer. é só querer. e tomara que queira.

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18.01.09

internet em 2020 [5]: o tempo e as realidades

relatório do pew internet project [PIP] sobre o futuro da rede, publicado no fim do ano passado, chegou a seis conclusões. para tal, mais de mil especialistas, teóricos e práticos das tecnologias e vida na rede foram consultados. este blog está comentando os achados do projeto e tentando imaginar o cenário equivalente no brasil. o primeiro da nossa série foi sobre MOBILIDADE, o segundo sobre PRIVACIDADE e TRANSPARÊNCIA, o terceiro sobre o futuro das INTERFACES e o quarto sobre PROPRIEDADE INTELECTUAL.

hoje, no penúltimo capítulo desta série, vamos falar das realidades física e virtual [termos do PIP] e sobre o tempo pessoal e do trabalho em tempos de rede. neste contexto, o PIP prevê que... The divisions between personal time and work time and between physical and virtual reality will be further erased for everyone who is connected, and the results will be mixed in their impact on basic social relations… ou seja: as separações entre o tempo pessoal e de trabalho e entre a realidade física e virtual serão ainda mais tênues para quem estiver conectado… e os resultados de tal conjução de fatores, do ponto de vista de seus impactos nas relações sociais, serão bons por alguns lados e nem tanto assim por muitos outros.

primeiro, o que é o virtual? este blog andou falando disso no ano passado: segundo pierre lévy, a humanidade se constituiu através de virtuais. na opinião do filósofo, os três virtuais fundamentais seriam a linguagem, que virtualiza o presente, criando o futuro e o passado e, consequentemente, o tempo; as técnicas abstraem as ações, estendendo o alcance do corpo humano; finalmente, os contratos abstraem a violência, criando as sociedades.

estamos cercados por virtuais, alguns muito antigos, como dinheiro [parte dos contratos], que é um virtual de poder de compra: ao invés de levar uma vaca para a loja e trocar por um celular, levamos papéis que representam nosso poder aquisitivo [resultado, talvez, da venda da vaca...]. mais comumente, pagamos com um plástico que é, em si, um virtual do dinheiro, ou seja, um virtual de segunda ordem.

pilhas de dinheiro

observando por tal ótica, estamos nos virtualizando há milênios e isso é muito legal: o "virtual" não é nenhum susto que começou ontem; estamos nos aconstumando a ele à medida que nós próprios o estamos construindo e nos virtualizando. e vamos nos virtualizar ainda mais. no caso do dinheiro, não é difícil imaginar um futuro onde poder de compra estará completamente virtualizado. é só imaginar que todos os créditos e transações financeiras tenham sido informatizadas e estejam na rede. tipo… ninguém mais tem ou anda com dinheiro "físico", em notas, moedas e cartões de crédito, débito e o que mais. ao invés, pagar por algo significa transferir créditos meus para alguém [isto é, sua "conta"] que me entregou um bem ou me prestou um serviço qualquer.

parte disso já pode ser percebido agora, quando taxis, em alguns lugares, começam a preferir cartões de débito como forma de pagamento. em brasília, segundo um motorista que ouvi, é muito mais seguro. nada mais óbvio: o assaltante em potencial prefere o motorista que não aceita cartão de débito porque, se este último estiver tendo um sucesso razoável nas suas transações eletrônicas, terá muito menos dinheiro "em caixa". agora generalize isso para toda a economia, da barraca de macaxeira até a loja virtual de música [virtual, também]. resultado?… dinheiro, salário, compras, vendas e empréstimos completamente virtualizados.

vantagens disso? um assaltante pode até forçar alguém a comprar alguma coisa para ou por ele. mas vai ser na rede, virtual, e vai ficar documentado. assaltar pra "pegar" o dinheiro de alguém deixa de ser negócio: o ladrão vai ter que transferir algum valor da minha conta para a dele ou alguma outra. registrado, de novo. pense nas alternativas para tentar extrair dinheiro de alguém sem deixar rastro. vai ser muito mais fácil achar as brechas do sistema e, através delas, tirar do sistema ao invés de alguém em particular.

desvantagens? com as finanças virtualizadas, todos os sistemas de supervisão e controle da sociedade, se quiserem, terão acesso a todas as transações financeiras realizadas por toda e qualquer pessoa, seja pra que for. sem "trocados", mesmo o dinheiro do flanelinha tem que ser transferido através de uma transação em rede, que terá seu local, hora, motivos, valor e envolvidos registrados. para sempre. uma das vantagens da desvantagem é que lavagem de dinheiro se torna quase impossível, se todos os sistemas financeiros estiverem devidamente conectados… inclusive os dos mundos virtuais. olhando para o caos dos sistemas financeiros mundiais, é bem capaz de termos uma parte muito maior deles nesta fora e em rede, em 2020, por razões de controle [sobre as instituições] e sobrevivência [de todos nós].

até aqui tudo bem, você pode dizer, até porque "eu não tenho nada a esconder". já falamos disso nestes textos sobre o futuro da internet e a descoberta -óbvia- é que todo mundo tem muito a esconder [veja texto desta série neste link]. e a humanidade depende, em boa parte, de assimetria de informação, ainda mais quando tratamos de mercados, custos e preços. virtualizar, informatizando tudo, vai ser muito bom, vai simplificar muita coisa. por outro lado, podemos perder uma parte considerável do que se acha que são, hoje, liberdades e direitos humanos fundamentais. e olhe que, até aqui, só falamos de virtualizar, de forma mais radical, o dinheiro, coisa que já é um virtual há milênios.

mas vamos olhar também o outro lado da previsão, que tem a ver com a interface cada vez mais difusa entre o tempo pessoal e o do trabalho. para isso, vamos partir do princípio de que estamos e estaremos vivendo em uma sociedade que, cada vez mais, será da informação e do conhecimento. ou seja: no médio prazo, quem ainda tiver alguma função sócio-econômica que convenhamos relacionar às noções atuais de trabalho e emprego [e renda] estará quase que certamente trabalhando em e com conhecimento.

ghost face imagem virtual

quando seu trabalho é de conhecimento, seu tempo pessoal, já hoje, não se separa de seu tempo de trabalho. você, na prática, não desliga a parte de seu cérebro que resolve os problemas do trabalho quando, por exemplo, está na praia. aliás, é bem provável que na praia, separado do seu "local" de trabalho, pegando onda em maracaípe, lhe venha alguma idéia sobre como tratar um dos "problemas" do trampo.

e o melhor é que isso não deveria ser nenhuma novidade. imagine um nativo, numa selva ideal, intocada por invasores. de quantas fontes de informação depende, a qualquer momento, a sobrevivência daquele indivíduo e seu grupo? ele sai para caçar e, ao contrário do que pensamos, não está absolutamente concentrado no macaco, no topo da árvore, que ao ser acertado por uma flechada será a proteína do almoço de amanhã. há um amplo contexto ao redor do nosso caçador: sua atenção tem que ser dividida entre uma multitude de sinais, desde pássaros agitados por causa de algum predador [a onça que pode estar atrás] até os estalos, à frente, que podem se transformar num bote mortal de serpente em poucos segundos.

macaco arvore o caçador tem que dispensar ao seu alvo o que passamos a chamar, há pouco tempo, de atenção parcial contínua. o alvo e um monte de outras coisas têm que estar no foco, o tempo todo, um pouquinho de cada vez e simultaneamente. isso vem a ser a base do que a revista TIME denominou da "geração multi-tarefa" e que o professor de educação da ufba, nelson pretto, chama da "geração alt+tab", se referindo ao mecanismo padrão de troca de foco entre as janelas de windows. mão na direção outra na marcha, um ouvido no rádio do carro, juca kfouri -e nós- torcendo pela queda do ricardo teixeira, outro na rua, um olho no trânsito e outro no celular -pra ver quem está chamando- e olha que o  sinal vai fechar… nós somos, sempre fomos, multi-tarefa.

mas não é só: a extensão -ou virtualização, usando a rede- dos locais físicos de trabalho, que vai acabar levando à extinção dos locais de trabalho nos casos em que as ferramentas possam ser informatizadas e providas à distância, vai fazer com que o tempo pessoal deixe de ser compartimentalizado em horas "de repouso", versus horas "de trabalho", onde alguém bate ponto e tem sua capacidade de trabalho alugada, por alguma instituição, por hora.

vamos voltar, paulatinamente -e 2020 está antes da metade do caminho- a uma situação em que seremos remunerados por resolver problemas e não por hora de aluguel de nossas capacidades. o trabalho escravo, no passado, obrigava o indivíduo a estar disponível o tempo inteiro, a vida inteira. o trabalho "de ponto" a que nos obriga a legislação trabalhista brasileira em quase todos os casos, reduz tal disponibilidade a cerca de um terço do dia, garantindo férias e mais um bocado de coisas. e, na maioria dos casos, desacopla o empregado do risco e do sucesso do empreendimento.

relogio de ponto bater "o ponto" e trabalhar num "local de trabalho" está diretamente associado à escassez das ferramentas com as quais o trabalho é feito e ainda fará sentido, no futuro próximo, para um certo número de profissionais. mesmo quando ambientes são essenciais para o trabalho. olhe para os cirurgiões: a maioria já não "bate ponto", resolve problemas e é remunerado por isso. da mesma forma, não há nenhuma razão para que o professor [sempre] dê aulas "na escola", se houver disponibilidade de ferramentas e infra-estrutura de conexão que integre comunidades de aprendizes,

tenho experimentado, na última meia década, trabalhar de qualquer cidade ou  prédio com gente em muitos outros lugares e prédios. às vezes, de um hotel em são paulo, entro em contato, via skype, nimbuzz, emeio, blog, rede social, twitter… com dezenas de pessoas, para resolver problemas, entre 11 da noite de 2 da manhã. e a maioria dos emeios que sai do meu laptop, no hotel, foi composta no vôo recife-guarulhos, que ainda é uma das poucas três horas em que ninguém consegue me encontrar online. por enquanto: vem aí cobertura 3G dentro dos aviões, coisa antecipada por este blog muitos meses atrás.

dá pra notar que os dois temas deste texto estão conectados: quanto mais nos virtualizamos, mais difusa se torna a separação entre os tempos do trabalho e pessoal. isso é bom ou ruim? como tudo na vida, depende…

em 2020, as cidades estarão muito mais conectadas entre si e, dentro delas, seus bairros e prédios estarão mais conectados. será muito mais fácil trabalhar sem ir até o local de trabalho… e você e eu não precisaremos jogar fora quatro horas, por dia, no trânsito, para ir até o lugar onde, no passado, estavam as ferramentas necessárias para realizar nossa tarefa. empresas que continuarem insistindo em trazer as pessoas para um local de trabalho singular poderão ser forçadas a pagar impostos mais altos por isso, para compensar o custo logístico que infligirão à região onde estão situadas.

mas, alguém diria… você pode ficar viciado em trabalho e trabalhar o tempo inteiro, exatamente porque os meios estarão com você [em casa ou perto dela] ou em você [no longo prazo, implantados em você...]. sim, você pode ficar viciado em trabalho. isso pode fazer muito bem à sua empresa, por um tempo, e a você, também por um tempo. mas pode virar um vício radical, uma neurose, daquelas que precisa ser levada a sério e tratada. muita gente pode ficar viciada em trabalho, num cenário como o descrito acima. mas será que isso faria mais mal à sociedade do que as doenças de trabalho causadas pelo trânsito que se enfrenta pra ir trabalhar ou, pior, pelas mazelas pessoais e sociais advindas de práticas de "trabalho" em que uma parte dos empregados bate ponto e não faz nada, gastando o expediente, na sua "repartição", a ver navios e contaminando os companheiros?…

workaholic

é muito provável que não. mais virtualização, com uma separação bem menor entre o abstrato e o concreto, fundindo ambos em uma [quase] só realidade, tornará possível levar o trabalho às pessoas e não as pessoas ao trabalho. esta é uma parte inevitável do futuro. parte dela já acontece agora e muito mais vai estar rolando daqui a doze anos. neste cenário, e pra quem está começando agora, é bom olhar pro futuro com olhos virtuais e pensar em como se remunerar, num mundo em rede, resolvendo problemas, estejam onde estiverem. este vai ser o jeito do futuro. e já pra muito mais gente e em muito maior parte, daqui a meros doze anos.

idoru-cover pra terminar, uma recomendação de leitura sobre o virtual e os nossos tempos, num futuro mais próximo do que talvez se possa imaginar: idoru, novela escrita por william gibson em 1996. idoru é o japonês para ídolo, que os americanos acham que veio de idol, mas deve ter vindo mesmo de ídolo, em português. o ponto alto da história é o casamento de uma estrela de rock, rez, com um idoru, rei toei, nada mais nada menos do que uma construção virtual, um ídolo sintético ideal que existe na realidade mas que não é… concreto.

a novela deixa claro que todos os ídolos são construções e que tanto faz, mantida uma certa distância, se são concretos ou abstratos. rei toei, um virtual, não separa trabalho e lazer, move montanhas e mundos, tem legiões de fãs e, ainda por cima, vai se casar com alguém de… verdade.

rei toei guarda uma semelhança com as bandas de adolescentes que espocam aqui e ali, onde os participantes saem de uma linha de montagem operada por empresários e produtores [e mídia] e são, quase sempre, vazios. isso não impede que sejam adorados de forma frenética por multidões de outros adolescentes que gostariam muito de estar em seu lugar ou… casar com eles. neste presente, nosso e bem real, já padecemos de uma certa confusão entre estes concretos e abstratos.

o passo à frente de gibson é criar uma celebridade abstrata, idolatrada, capaz de levar um dos maiores roqueiros [digamos] concretos do planeta a querer se casar com ela. ou seria, apenas, uma conjunção de interesses manipulada pelos gestores de ambos os lados? é o futuro, diria um dos personagens, e não vou revelar aqui… vá ler o original. vale a pena.

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01.01.09

pra ler no feriado: história da internet…

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aproveitando que o TERRA vai estar de cara nova no próximo dia sete, este blog vai ficar parado daqui até lá, quando daremos início a uma série sobre o futuro da internet. mas você pode querer ler alguma coisa, ao invés de ir pra praia…

pierre lèvy ensina que uma das –senão a mais fundamental das- abstrações que definiram o que hoje chamamos de humanidade foi a linguagem. virtualizando o presente, a linguagem criou o tempo, permitindo que saíssemos do aqui e agora dos outros animais e pudéssemos brincar de futuro [fazer planos] e passado [contar histórias]. e isso tem, não por mero acaso, tudo a ver com a própria internet: o mundo virtual, que às vezes se pensa que foi criado pela internet [ou por hardware e software, conectados] é na verdade uma instituição milenar.

e já que dia sete estaremos falando de futuro da internet, talvez seja interessante olhar o passado antes de irmos em frente. entre abril de 2000 e março de 2002, escrevi exatamente 100 crônicas semanais para a extinta revista eletrônica NO., que desapareceu da rede sem deixar rastro [ou memória digitalmente armazenada: veja mais sobre este assunto  aqui]. reuni estas histórias num único arquivo, que pode ser obtido ao clicar na figura abaixo, que deveria ser a capa do "livro", se ele tivesse sido impresso. não foi. pegue uma "cópia" e sinta-se livre para imprimir, copiar, distribuir… o material, formalmente, ainda está sob controle do que deve ser, hoje, apenas um CNPJ da NO., perdido numa prateleira de escritório de advocacia. mas tenho uma autorização, de 2004, para distribuir o .PDF, que transfiro para todos os leitores.

capa silvio no ponto
em parte do preâmbulo que escrevi para os textos, há cinco anos, se lê:… Nas páginas que se seguem, estão meus cem artigos em NO. Muitos estão datados, porque os temas, coisas e até companhias que discutiam só faziam sentido dentro de um dado contexto temporal (e tecnológico… e econômico). Resolvi, no entanto, ao invés de fazer uma seleção, deixá-los todos, em seqüência, sem qualquer tratamento adicional em relação à publicação original, a menos de uma correção ortográfica aqui e ali e uma revisão dos links dos artigos originais, quando foi possível. Em alguns casos, não somente os links publicados nos artigos, em NO., desapareceram, mas não há, hoje, nenhum link alternativo que viesse a dar sentido a certas citações. Nestes poucos casos, os links foram simplesmente removidos, sem prejuízo para a leitura do texto.

Os artigos que se seguem são uma espécie de “minha história NO.” Alguma hora, quando e se houver tempo, talvez alguns subconjuntos conceitualmente conexos se tornem parte de um livro –há, talvez, quase um, entre eles, sobre universalização de acesso, um dos temas mais presentes nas colunas semanais- e outros, que o leitor vai distinguir muito facilmente, se tornem contos (mais extensos). Dois deles, em particular, teimam em me pedir, de tempos em tempos, para estendê-los. Peço-lhes paciência, pois, hoje, fazendo tanta coisa, os pequenos contos não teriam a prioridade que eu talvez devesse lhes dar. Um dia, quem sabe, eles tomam conta do meu tempo. De vez. Até lá, deixo esta história das sextas-feiras da NO., registradas em formato integral por deferência especial de Manoel Francisco Brito, que permitiu a publicação dos artigos em bloco e na íntegra.

boa leitura, Feliz Ano Novo, muita sorte e até o dia sete.

[PS: este livro passou a estar disponível em lulu.com para download [US$6.25] e como livro, das antigas, impresso em papel de boa qualidade com capa colorida [US$19.75]. vá ver e, se for o caso, compre; a casa agradece: http://www.lulu.com/content/5554847.]

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27.10.08

marketing online: faltam dados

Tags:, , , , , - srlm às 01:01

a mckinsey perguntou a 340 executivos de marketing de todos os continentes como anda, hoje, a propaganda de suas empresas. mais de 90% respondeu que está fazendo propaganda na rede, e estamos falando de empresas de todos os tipos, em todo canto, e cerca de metade delas está usando tecnologias típicas da web 2.0, como widgets, wikis e social networks. boa notícia.

a má notícia é que a mesma turma, 55% da qual está aumentando seus gastos online, reclama que não há medidas quantitativas de seu esforço de marketing e propaganda virtual. somente metade das empresas usa algum tipo de medida quantitativa para seus investimentos online; só 52% está medindo o impacto da propaganda online em sua marca e reputação, mesmo quando este é seu principal esforço na rede. e apenas 30% está medindo o impacto offline de suas ações online.

ou seja: faltam dados. apesar da fuga dos anúncios para o mundo virtual [veja aqui o efeito no new york times], que vai acabar com boa parte do que hoje chamamos de mídia impressa, ainda não se conseguiu estabelecer um bom conjunto de processos, métodos e métricas, do ponto de vista de marketing, para o meio -a internet, em todas as suas vertentes- que começa a se estabelecer como o principal mecanismo de expressão e relacionamento de pessoas e empresas.

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a receita da mckinsey? Online media have enjoyed tremendous growth and will continue to do so. Our survey suggests, however, that this growth will be far more robust if marketers implement accurate measurement techniques that help them understand the true impact of ads. ou seja: a mídia online está crescendo muito rapidamente e vai continuar assim por muito tempo. mas tal processo poderia ser ainda mais radical se tivéssemos melhores métodos e técnicas para medir o impacto e retorno do investimento das empresas em suas ações online.

grande oportunidade, pois, prá quem está -ou quer entrar, e sabe como- no negócio de medir o efeito da rede nos negócios. ou na conversa -na rede- sobre os negócios, como é o caso da e.life, daqui mesmo do brasil, que vem fazendo um trabalho muito interessante de mensuração do online buzz [veja mais sobre o assunto aqui].

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08.07.08

enfim, uma livraria virtual

Tags:, , , , - srlm às 14:33

é só clicar na imagem… que ela se explica. genial. só faltava alguém fazer.
[pra saber o que foi feito, como e por quem, clique aqui].

 

 

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