Terra Magazine

16.10.09

um [possível] futuro para os jornais: o caso do guardian

no passado, os jornais tiveram o papel de dar relevância e sincronicidade às notícias. as coisas que aconteciam, de fato, eram apenas aquelas que se tornavam notícia nos grandes jornais. tais “bons tempos” eram também aqueles que, ao sincronizar um país [ou o estado, região…], um grande jornal era capaz de formar a opinião da massa e derrubar [ou manter] um governo.

image faz algum tempo que não é assim. de mais de uma forma, a sociedade e economia se dessincronizaram. isso porque, na rede, não há mais quase nenhum agente capaz de monopolizar a atenção de uma quase totalidade das pessoas por um longo tempo. as três maiores audiências de internet, no brasil, são uma máquina de busca, uma rede social e um conjunto de aplicações. nenhum dos três tem opinião, ou é formador de opinião; são infraestruturas que usamos para criar nossa presença em rede. sem editor, sem horário, independente de geografia ou de quaisquer grandes temas [impostos pelos outros] do momento. é o fim do “programador” central.

mas os jornais ou, se quisermos, os “noticiosos”, com profissionais ou amadores competentes, possivelmente remunerados, no levantamento, redação e edição, não deixaram de ter um papel na economia. ao fazer seu trabalho de levantar, filtrar, qualificar, editar e sintetizar informação, os jornais criam bancos de dados que contêm, se sua largura e profundidade de análise for boa o suficiente, a história de uma sociedade. quer seja de um interior como taperoá ou de um país como a inglaterra, no último caso possivelmente incluindo uma visão de mundo a partir dali.

image este é o caso do jornal inglês the guardian, fundado em manchester por john edward taylor em 1821. quase bicentenário, o jornal enfrenta, como todos os outros, a internet, a maior mudança de plataforma de gestão de ciclo de vida da informação desde gutenberg. com uma diferença fundamental em relação à maioria: resolveu entender o desafio e arriscar, digamos, tudo o que tem numa perigosa travessia para o futuro.

até porque ficar parado do lado de cá, tentando sobreviver no passado, não é bom pro negócio, como se vê no grande cemitério dos jornais. em 2008 e 2009 [até agora] quase 30.000 pessoas perderam o emprego só em jornais americanos.

este blog vem comentando o “fim” dos jornais de papel há algum tempo; veja, por exemplo, este texto [sobre o fim de um dos fins do papel], este outro [sobre a internet, como fonte de notícias, passando os jornais], este aqui [sobre a evolução dos jornais, na rede] e, por fim… dá pra salvar o bom jornalismo?… sobre exatamente o que o título diz: vão-se os jornais mas fica o jornalismo, pelo menos o que vale a pena salvar?

o guardian faz parte da seleta classe do jornalismo que vale a pena tentar salvar. eles, aliás, também acham isso e estão tentando se salvar. para isso, estão transformando radicalmente o que poderíamos chamar de jornal.

um jornal é, principalmente, sua história. as posições que assumiu e defendeu, sua trilha de informação. e o guardian publicou os últimos dez anos de sua história, mais de um milhão de artigos, na rede. e na íntegra. abertos. pra todo mundo. segundo a direção, a competição pode usar como quiser mas, para [qualquer um] usar de forma sistemática, deve fazer um acordo com o jornal.

um jornal é, também, sua máquina de formatação, impressão e distribuição de informação. lembro ter visto rotativas desfilando por cidades, em carretas, como se fosse o futuro do lugar chegando de alguma parte da alemanha. isso era o mundo físico. na web, estamos falando de laptops, bancos de dados, web servers… estamos falando de plataformas de programação e distribuição de informação.

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o guardian resolveu se tornar uma tal plataforma: publicou uma API [application programming interface, uma interface de programação, na rede]que torna possível manipular tudo o que existe nos bancos de dados do jornal, agora transformado em plataforma de informação na web. isso significa o que, exatamente? quer dizer que qualquer um que entenda a interface de programação do jornal [mudança: jornal como plataforma de programação] pode manipular tudo o que está no sistema [o guardian], utilizando-o como meio para seus fins, construindo aplicações que, por uma ou outra razão, usem a funcionalidade ou a vasta base de dados do jornal. como estas aqui, da galeria

tal tipo de mudança vai ser cada vez mais comum, em jornais [o NYT está tentando movimento semelhante] e redes sociais [twitter tem uma API que torna possível um monte de operações sobre o que está armazenado no sistema, como um jogo de palpites sobre futebol…], de empresas a bancos, de governo a sites de comércio e muito mais. dá pra fazer um monte de coisas usando [por exemplo] a plataforma da amazon, amazon web services, inclusive escrever o twitter nela, o que é, aliás, o caso.

deixar de ser um “jornal” e passar a ser uma “plataforma programável, na rede, intensiva em conteúdo” dá dinheiro? ninguém sabe. nem o guardian. mas pelo menos eles estão, entre poucos outros jornais, experimentando, até porque o futuro do negócio de jornais, como jornal clássico, daquele que embrulhava peixe depois… é certo. e nada bom. nem peixe se embrulha com jornal, mais…

se você tem alguma curiosidade sobre o que é uma plataforma de programação intensiva em informação “curada”, editada, revisada, na rede, vá dar uma olhada no que os “novos leitores”, ou melhor os “programadores” do guardian estão fazendo, do ponto de vista de visualização de dados, uma das oito categorias de aplicações que qualquer um pode programar no jornal. abaixo, o resultado de uma delas, as emissões de carbono de um número de países desde 1751.

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o próprio guardian [em um de seus twitter] passou a produzir uma sequência muito interessante de dados e gráficos sobre um monte de coisas, como a inflação da inglaterra desde 1948… clique abaixo e vá ver; lá, a visualização é interativa…

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…ou efeito usain bolt no recorde mundial dos 100m rasos, mostrada no último ponto do gráfico abaixo, em 2010, baixando o tempo do recorde em quase 1.2%.

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agora imagine o dever de casa de um grupo de estudantes do fundamental daqui a alguns anos: descobrir as fontes de dados geográficos, de população, de índices financeiros e econômicos variados e produzir um mapa bo brasil, interativo, sobre a inflação e crescimento, incluindo sua distribuição regional e per capita, para todo o país. no fundamental, e não como dissertação de mestrado. e, ao invés de pegar tal gráfico em algum lugar [hoje, ele não existe] descobrir como programá-lo. no fundamental.

o guardian está participando de uma tendência de abertura dos negócios na e para a web, e não só dos negócios de informação como jornais e portais. para estes, vai ser obrigatório abrir suas bases de informação e criar uma API que torne possível disponibilizar, a partir de lá, novas formas de ver, ouvir, filtrar, compor e interagir [e faturar] com informação, a partir de múltiplas interfaces, sistemas, dispositivos e redes.

as outras empresas? estão no mesmo caminho, e muito mais longe. mas delas a gente fala depois. até lá.

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16.04.09

qual é o próximo grande sucesso na rede?…

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pesquisadores ingleses resolveram montar uma força-tarefa pra tentar prever qual será a próxima killer app [aplicação que mude tudo e atraia milhões, dezenas ou centenas de milhões de pessoas] na web. duvido muito do resultado do esforço. é provável, por outro lado, que eles só descubram qual será o próximo grande sucesso se construirem um…

ninguém previu twitter, youTube, faceBook ou orkut. estes serviços apareceram porque “estava na hora”: a tecnologia os tornava possíveis, a infraestrutura estava no lugar e o público tinha meios e tempo para usá-las. e isso levando em conta que twitter, por exemplo, não tem [ainda] a menor esperança de ter qualquer remuneração de seus milhões de usuários [ou de alguém que pague por eles]. e que google [veja abaixo] perde mais de três milhões de reais com youTube por dia.

enquanto twitter, pelo menos, está por aí, veja o que rolou no meu [twitter.com/srlm] nas últimas 36 horas. um aviso pros leitores que vão descascar o texto lá nos comentários e não conhecem twitter: cada mini-texto [tweet] só pode ter até 140 caracteres e o estilo é completamente informal, além de abreviado, e ninguém gasta "horas" pra jogar 140 caracteres no ar. se bem que tem gente pensando em escrever uma novela seriada, em diálogos de 140 caracteres, lá…

    eBay VENDENDO skype? http://tinyurl.com/d5ovrh, about 3 hours ago

    NO MEU BLOG >> o futuro e a vitória dos “nômades” [apres jacques attali]… http://tinyurl.com/cr4h2n, about 15 hours ago

    INFORMATICIDADE é muito mais do que CLOUD COMPUTING… http://tinyurl.com/chw5pj, about 15 hours ago

    o CPE ["chief philantropic evangelist"] de GOOG sai de cena. será que TODO o $ de filantropia tá indo pra YouTube? http://tinyurl.com/dk4uoq, 12:12 AM Apr 15th

    o FUNDO do POÇO? google PERDE US$1.65M POR DIA com youTube. algo entre $1 e $2 por visitante… uau! http://tinyurl.com/d4wsy7, 12:07 AM Apr 15th

    será que dá pra INVADIR e DETONAR a rede de distribuição de energia? nos EUA, dá. e AQUI?… http://tinyurl.com/d4znl6, 12:05 AM Apr 15th

    Dr Nisar Wani: "This is the first cloned camel in the world". direto de DUBAI. http://www.physorg.com/news…, 12:04AM Apr 15th

    em tempos de CRISE… Are Companies Protecting the Wrong R&D Investments? http://tinyurl.com/ce8c7x, 12:02 AM Apr 15th

    problema enfrentado pelo SPEEDY… >> "está sendo alisado pela Anatel"… http://tinyurl.com/dd6×4h, 11:24 PM Apr 14th

    twitter search: TWAZZUP >> gostei. muito legal mesmo!… http://tinyurl.com/dmwg3f, 12:32 PM Apr 14th

    alagoas digital: audio da palestra [out of sync] dos slides do ultimo tweet neste link… http://tinyurl.com/c7pdsk, 1:52 AM Apr 14th

    alagoas digital: slides de uma palestra sobre inovação [em e COM TICs] aqui: http://tinyurl.com/c56l5k, 1:51 AM Apr 14th

    Emerging Technology Watch: Implantable Telescope for the Eye… [fixing Macular degeneration?] http://tinyurl.com/cffvlb, 7:53 PM Apr 13th

    na internet, tv cultura, comeca o RODAVIVA com demi getschko… assunto: internet. o que mais poderia ser?… [eu nos entrevistadores...] 6:31 PM Apr 13th

    enGENEered viruses assemble into electrodes and make complete rechargeable batteries for the first time [!!!!!] http://tinyurl.com/cbf48n, 11:09 PM Apr 12th

    …most of the really innovative thinking about retail is taking place in Japan [?!?] http://tinyurl.com/ckuogv, 10:42 PM

    Apple has placed an order for 10-inch touchscreens from a Taiwan distributor for delivery in the third quarter… http://tinyurl.com/cyc9ap, 10:40 PM Apr 12th

    Under conditions, demand for a product and the cost of the next supplier’s capacity determine the market price. http://tinyurl.com/dm4qem, 10:39 PM Apr 12th

    VISA BLACK CARD. exclusive. to THREE MILLION PEOPLE?… não quero um… http://tinyurl.com/cnh79y, 10:37 PM Apr 12th

    APPLE is WORKING on a NETBOOK… and steve STEALTH jobs is RIGHT BEHIND it… or so SAYS THE WSJ. http://tinyurl.com/cyc9ap, 10:00 PM Apr 12th

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12.04.09

dá pra salvar o bom jornalismo?

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o boston globe, um dos maiores jornais dos estados unidos, deve ter um prejuízo de US$85M este ano, depois de perder US$50M ano passado. o globe não é um jornal independente, mas parte do new york times. e o NYT está ameaçando fechar o globe caso os sindicatos não concordem com medidas radicais de corte de custos. e não consiga aumentar receitas: o preço do jornal nas bancas subiu US$1.50, só pra “continuar viável”. mesmo assim, pode fechar no mês que vem. o globe foi comprado pelo NYT em 1993 por US$1.1B; desde então, a circulação só faz cair. a receita demorou mais um pouco a seguir a circulação, mas está em queda continuada desde 1999.

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no dono do globe, o NYT, o período de férias foi estendido, cem pessoas foram demitidas semana passada e quem sobrou vai ter uma redução de 5% no salário pelo menos durante o resto deste ano. e tem que apelar pra santo muito forte pro jornal continuar existindo –em papel- ano que vem. a pergunta a se responder, no particular e no geral, está na capa do boston globe deste domingo: o que saiu errado?… a resposta, da própria casa, é que… o globe não viu –e não soube aproveitar- a web. os outros jornais tampouco. e ponto final.

mas a pergunta da hora, feita por brian solis a walt mossberg, talvez fosse… vale a pena salvar os jornais?… sabe-se lá, se obama vai salvar a indústria automobilística americana, talvez…  mas mossberg pensa rápido e diz que esta é a pergunta errada; a pergunta apropriada seria… será que dá pra salvar o bom jornalismo?… segundo mossberg, só há uns poucos jornais de verdade nos EUA; o resto são alguns jornalistas de qualidade e noticiário nacional e internacional reciclado, pra encher linguiça e imprimir as páginas necessárias para os anúncios. isso quando havia anúncios. quando estes se mudam pra web, porque tais páginas deveriam ser impressas?… o mesmo raciocínio vale para o brasil e qualquer outro país. abra seu jornal local ou regional e constate com seus próprios olhos.

desde janeiro de 2008, mais de 120 jornais americanos fecharam as portas e mais de 21.000 jornalistas e pessoal auxiliar foram demitidos destes e de outros 67 que continuam no negócio. só em 2009, mais de 8.000 pessoas já perderam o emprego. e a tendência não dá sinais de ser revertida; muito ao contrário. a internet já é a fonte primária de notícias nos EUA e vai ser, no brasil, assim que houver banda larga [de verdade] por aqui.

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mas brian solis acha que um novo desenvolvimento pode salvar o “bom” jornalismo: a statusphere, ou statusfera, a rede de reputação capaz de fazer com que agentes individuais, em rede, tenham tanta reputação, reconhecimento e importância –e remuneração- como tinham os grandes jornalistas dos antigos jornais. será? e como e quando?

segundo solisThe Statusphere is the new ecosystem for sharing, discovering, and publishing updates and micro-sized content that reverberates throughout social networks and syndicated profiles, resulting in a formidable network effect of activity. It is the digital curation of relevant content that binds us contextually to the statusphere, where we can connect directly to existing contacts, reach new people, and also forge new acquaintances through the friends of friends effect (FoFs) in the process.

em português? a statusfera é o novo ecosistema para compartilhar, descobrir e publicar atualizações e microconteúdo, reverberando sobre redes sociais e perfis compartilhados, tendo como resultado um espetacular efeito rede de conexões e atividade. a statusfera fará o papel de curadoria digital [e em rede] de conteúdo e conexões relevantes, onde poderemos nos conectar, em contexto e diretamente, a contatos existentes… e onde iremos descobrir e construir novas relações através do efeito FoFs [friends of friends, ou AdAs, amigos de amigos].

parece uma tese interessante. talvez a gente –e quem toca os jornais, no brasil, ainda- devesse ler com muito cuidado e ver como –e se- dá pra fazer aqui, e por quanto e quando, no nosso contexto. a mesma leitura atenciosa, e não por acaso, vale para quem toca serviços online como o TERRA, terraMagazine e tantos outros…

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02.12.08

o destino [quase certo] dos jornais “de papel”

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o fim do papel vem sendo anunciado há décadas. e não parece estar nem um pouco perto de acontecer. já o fim do que a gente costumava chamar de "jornal", aquela empresa que coletava notícias e opiniões, vendia anúncios, editava tudo junto, imprimia o conjunto em papel "jornal" e distribuía pelo mundo, mesmo que fosse o mundo perto, como arcoverde, pesqueira, pedra e buíque… este fim parece estar cada dia mais perto.

o papel, desde que não seja como "meio de transmissão" de informação, vai muito bem, obrigado. talvez nunca tenha estado melhor. mas os jornais estão em seríssimas dificuldades em muitos de seus principais mercados. nos estados unidos, jornais centenários como o christian science monitor desistiram de sua edição diária e estão de mudança para a web. outros, menores [mas localmente importantes] como o albuquerque tribune [86 anos de publicação] simplesmente desapareceram.

a história do tribune é típica. a circulação do jornal caiu de 42 mil por dia em 1988 para menos de 10 mil em 2008, tornando a operação inviável. os leitores foram para a internet, os anunciantes também e o modelo de negócios do "diário impresso" deixou de fazer sentido. 38 jornalistas e editores perderam seus empregos. o tamanho da bronca, nos eua, este ano, é grande: pelo menos 13.500 jornalistas, editores, administradores e outros cargos desapareceram na indústria de jornais. clique na imagem abaixo para ver um mapa interativo mostrando empresas e lugares que estão desempregando jornalistas como nunca se viu nos estados unidos.

 eua-cemiterio-de-jornais.png

no brasil, a circulação dos jornais cresceu mais de 11% em 2007, situação que parece com a dos países emergentes, mas é muito diferente dos eua, onde grandes jornais, como new york e los angeles times perderam 5% da circulação no mesmo período. os estados unidos [e os países mais ricos] estão se transformando em verdadeiros cemitérios dos jornais "de papel".

bote mais gente na rede, por aqui, mais banda, preços mais razoáveis [anatel! precisamos de competição em banda larga!], monitores de melhor qualidade, impressoras de maior resolução… e vamos ter o mesmo efeito dos estados unidos. e no espaço de uma década, aqui. o modelo "papel como mecanismo de transporte de informação" está teoricamente falido. agora é só esperar que seja efetivamente subsituído por jornais online, blogs, redes sociais, twitters e por aí vai

em 28 de abril de 2000 publiquei um texto inaugural na minha coluna na revista eletrônica NO., começo de dois anos de conversa sobre a internet e o mundo cá fora. o texto tinha por título o fim de um dos fins do papel e tratava exatamente do que estamos falando aqui. o texto ainda tá novinho em folha. clique no continue lendo, abaixo, e continue lendo…

(Continue lendo…)

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20.10.08

finanças: na internet, quem está seguro?

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ontem, relatamos aqui que o inspetor geral americano está dizendo que a segurança de informação da receita federal de lá não é tão boa como deveria ser para proteger os dados dos contribuintes. hoje, é a vez de notar que, na frança, uma galera conseguiu entrar na conta bancária de ninguém menos do que o presidente nicolas sarkozy e tirou do seu banco "pequenas quantidades de dinheiro" várias vezes. segundo os investigadores, não é coisa de amadores. e o crime na internet cresceu 9% na frança, este ano, contra uma queda de mais de 2.3% no crime em geral, mas em linha com um aumento de 8.9% nas infrações econômicas e financeiras. se os números da estatística francesa estiverem corretos, a internet é "só mais um lugar" para se cometer um crime.

no brasil, o ritmo de crescimento do crime na internet é assustador: em 2006, foram julgadas 7.000 ações criminais. até setembro de 2007, já tinham sido julgadas 15.000. este crescimento é um argumento poderoso do pessoal que defende a criminalização de certas condutas na internet, como proposto pelo senador azeredo em projeto que põe, no mesmo saco, ladrões de contas bancárias na rede e gente que compartilha música. e o caso da conta do sarkozy vai acabar entrando na argumentação, também.

teclado-maos-luva.jpgminha opinião? não é preciso nenhuma nova lei pra enquadrar ladrões de banco da internet. o que é difícil é pegar ladrões de banco na rede. se eu fosse roubar dinheiro de alguém, na web, não iria fazê-lo da minha casa, no meu laptop, na minha conexão de internet e com meu endereço IP, tudo facilmente identificável pela operadora e, conseqüentemente, pela polícia, certo? não que seja possível, ainda, identificar minha máquina, mas por via das dúvidas, ela não seria a "arma" do crime. ladrões "de verdade" usam carros e armas roubadas. ladrões virtuais, dos competentes, usam máquinas roubadas, pirateiam conexões sem fio desprotegidas [e muitas delas] e navegam através de anonimizadores [como TOR], o que torna um pouco [ou muito] mais difícil achá-los. alias, se o cara for mesmo competente, é quase impossível achá-lo.

e o que a lei azeredo tenta fazer? em boa parte, neste caso, tirar a responsabilidade dos bancos nas invasões de seus sistemas de informação, jogando parte do problema para os provedores e usuários [e correntistas]. normal, considerando que as perdas das instituições financeiras podem estar na casa das muitas dezenas de milhões por ano… daí que, segundo muita gente boa, os bancos aproveitaram a guerra à pedofilia na rede [que era o objetivo inicial de projetos tramitando no congresso] e movimentaram sua bancada para injetar, na legislação, os controles que queriam ver na rede. resultado? o projeto de lei do senador azeredo, relatado pelo senador mercadante, foi aprovado em marcha batida no senado e está esperando a câmara começar a trabalhar para passar por lá tão rapidamente quanto. 

este blog discutiu a lei azeredo, antes, em outro texto. a conclusão de lá pode muito bem ser repetida aqui: …nosso desafio, ao combater o crime na rede, será o de fazê-lo sem transformar a internet em um estado policial, onde quase tudo é proibido ou suspeito. se isso acontecer, perderemos a rede. o que que ninguém, em sã consciência e vivendo pelo menos no presente, quer. o que significa que o debate sobre crime on-line, sua prevenção, nossos direitos e responsabilidades, vai ser fundamental nos próximos anos da web. e do brasil.

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20.09.08

web: tendências

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ss-20080920101239-ia.png

mapa da web, clicável, feito pela galera de information architects, de tokyo. desenhado à semelhança do mapa do metrô da capital do japão, o mapa… "pins down nearly 300 of the most successful and influential websites to the greater Tokyo area train map.Different train lines correspond to different web trends such as innovation, news, social networks, and so on".

não chega a ser nenhuma surpresa, tanto neste mapa quanto em qualquer outra lista de coisas relevantes na web, não há quase nada do brasil. procure a exceção…

a pergunta que teríamos que responder já foi feita neste blog, uma vez, tempos atrás.

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20.08.08

caixa de ferramentas

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umas poucas coisas que ando usando pra sair pela web: pra ver o que está acontecendo no twitter, twitscoop; abaixo, a tag cloud das 23h da terça. legal pra vc saber o que está rolando sem ter que ir lá e ler um monte de coisas. por sinal, quem foi leroi moore?…

twitscoop1.png

blogrovr.pngse você usa firefox, e quer criar contexto, receber recomendações [sobre a página que está lendo, a partir de um número de blogs assinados a priori e outros que escolhidos por você] e ainda por cima permitir tweet diretamente a partir da página no seu browser e em relação a ela… pense em blogrovr.

blogrovr é mais uma tentativa de fazer direito o que nunca deu certo na web: recomendar informação de forma que realmente ajude [ao invés de atrapalhar, por excesso e imprecisão] o trabalho de quem já está tentando achar uma agulha no palheiro da web. tá começando bem; pra se sustentar, tem que melhorar [acho que consegue] e achar um modelo de negócios [sei não].

uma outra coisa que me chamou a atenção foi o lançamento, pela six apart, de conteúdo em seu domínio blogs.com [pense num domínio bom...], que estava vago há tempos. como a six apart está por trás de typePad e movable type, era de se esperar que fizessem a diferença ao usar blogs.com pra alguma coisa… mas lançaram, no endereço, um agregador de blogs, feito por editores humanos, com listas feitas por [entre outros] celebridades. sei não… pode ser, mas não acho que blogs.com vai fazer muita diferença.

diferença mesmo, hoje, fazem dois add-ons pra firefox. o primeiro é laterLoop, uma forma simples de guardar, on-line, os links que quero ver depois. ctrl-space e presto, posso passar em meu repositório pessoal de links, depois, e ir atrás do que deixei pro futuro, a partir de qualquer browser, incluindo o do meu celular. meus links, por sinal, são públicos. há um monte de coisas como esta, claro. que diferença laterLoop faz? é simples e confiável. e isso faz uma grande diferença.

por último, zotero. este é um caso à parte, que me foi apresentado por h. d. mabuse. zotero guarda páginas [com tags], salva documentos, cria bibliotecas, busca-enquanto-você-tecla, tá integrado com word, open office, com wordpress e outras ferramentas de blogging, é grátis e open source e vai permitir, da versão 1.5 pra frente, o compartilhamento de informação entre dois ou mais computadores [a biblioteca, hoje, é local]. funciona bem e está evoluindo muito bem e o modelo de negócios [pelo menos da versão local] tá resolvido. acho que vou ficar viciado nisso. zotero.png

zotero também representa a tendência do browser como plataforma computacional e sistema operacional: o add-on tem 1.1 megaByte, o que é muuuito, mas ao mesmo tempo está passando a ser normal. vez por outra olho pro consumo de memória do meu firefox e a coisa tá tomando mais de 400 mega dos meus 4 giga; daqui a pouco vai ser absolutamente normal termos PCs com 16, 32 giga de memória, de sorte a permitir que os browsers usem seus 4 ou 8 giga de memória… será?

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