Terra Magazine

03.08.09

BBB: o Y da questão

Tags:, , , , , - srlm às 06:00

como todo mundo já sabe, carol bartz e steve ballmer, os dois primeiros B’s de nosso comentário, se sentaram dia destes e decidiram que yahoo e bing [e não yahoo e a microsoft, note bem] iam se casar. bing é nosso terceiro B, e você pode clicar no link a seguir para ler uma detalhada análise do assunto, feita pela AP e publicada no chicago tribune.

a noiva, yahoo, estava há tempos no caritó, como se diz em pernambuco [antigo] das moças que estão quase passando do ponto. yahoo não podia mais deixar passar qualquer oportunidade, sob o risco de não ter mais nenhuma mesmo. os antecessores de bartz, terry semel e jeff yang, não tinham planos de casar com ninguém e fizeram tudo pro noivado com ballmer não dar certo. enquanto mandavam no pedaço, não deu mesmo.

o noivo, ânimo e roupa renovadas, depois de uma reestruturação que lhe deu, pra começar, mais audiência em busca [no mercado americano, em certos dias…] que o próprio yahoo, precisava de uma parceira pra acompanhá-lo em sua longa batalha contra o quase monopólio de google, alvo de todo mundo no mercado.

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e não é pra menos. veja [e clique n]o gráfico acima, de statcounter. hoje, google tem cerca de 75% do mercado; olhando para os dois últimos meses, google somou mais de 80% de todas as buscas nos EUA e canadá, contra pouco mais de 17% de yahoo e bing [clique aqui pra ver em detalhe]. o monopólio virtual de google em busca tem um porte similar ao da microsoft em sistemas operacionais e suites de programas de escritório.

o contrato de casamento assinado por bartz e ballmer é simples: yahoo vai “vender” busca e bing vai passar a ser a “busca de yahoo”, além de ser sua própria, claro. yahoo vai, muito provavelmente, demitir toda sua engenharia de busca [e talvez todo o resto da tecnologia] e ficar nas mãos da microsoft [leia “bing”] para tudo o que quiser fazer. de uma vez por todas. porque dez anos [do contrato], na rede, é infinito.

tudo bem que já fazia um tempo que não se via muita coisa de inovadora vinda de yahoo. a companhia não sabia se era mídia ou tecnologia, serviços ou o que. e estava tão longe de google, e tão sem forças para tentar alcançar o líder… que talvez a única alternativa fosse o casamento BBB –sem Y- acertado recentemente. e aí yahoo virou um portal, sem conteúdo original. como qualquer outro. os acionistas não gostaram, como mostra o gráfico abaixo; a seta vermelha indica o dia do anúncio do acordo BBB, com YHOO em azul, GOOG em verde e a MSFT em vermelho; clique no gráfico para ver o detalhe… no site de finanças de yahoo!

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o efeito colateral do acordo vai ser [na minha opinião e de mais um bocado de gente] matar yahoo. que talvez já fosse morrer de morte morrida mesmo, dentro de uns mil dias. e talvez carol bartz tenha conseguido o quase impossível: extrair de steve ballmer um dote de meio bilhão de dólares por uma noiva que… nunca iria sair do caritó de outro jeito.

o Y da questão está resolvido. a briga [mais uma] é entre microsoft e google; e yahoo, depois de ter escrito uma das mais belas páginas da internet, vai começar a descansar. para sempre.

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08.07.09

yahoo: indo, indo…

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todas as análises que vi, nos últimos dias, sobre o lançamento do google OS, neste semestre, são precipitadas. inclusive a do cartoon abaixo, que me chegou por emeio, sem identificação do autor…

google chrome win

vamos ter que esperar muito, ainda, pra ver que rumo a coisa vai tomar. isso porque, em inovação, quem decide é o mercado e não a tecnologia e seu dono. e nem sempre a melhor tecnologia “ganha”, seja de quem for.

por ora, a única coisa que eu dou por certa é a seguinte: dos três grandes do negócio de informação na web, yahoo é o único que só tem… informação na web. não tem browser, não tem sistema operacional, não tem aplicações.

depois eu volto em mais detalhe a este assunto mas, por enquanto uma coisa é certa: yahoo é o novo altavista. não lembra de altavista? era o sistema de busca que dominava a web até google aparecer com um conjunto de algoritmos muito mais sofisticado e dar as cartas…

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30.05.09

bing: muda O QUE no universo de BUSCA?

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semana que vem a microsoft lança seu "novo" engenho de buscas, bing, que antes iria se chamar kumo e que, na verdade, é uma combinação do que já estava rolando em live search com tecnologias que a microsoft estava desenvolvendo em casa e outras compradas recentemente [como powerset, por exemplo]. sem falar num redesenho razoável da interface de apresentação e interação.
 
segundo vozes internas da MSFT [don dodge, entre muitos outros] a empresa vai apontar bing para quatro alvos: tomar decisão de compra [e comprar de dentro do próprio bing]; planejar uma viagem [decidindo para onde ir e onde ficar e, a partir daí, como...]; pesquisar uma condição de saúde [e, quem sabe, decidir marcar um médico e comprar um remédio...] e, finalmente, achar um negócio local, perto de onde você está ou mora [e, talvez, decidir fazer alguma coisa a respeito]. tudo, óbvio, centrado no mercado americano, que é o maior do planeta [ainda] e onde a empresa de redmond perde de google por 8 a 1 [isto é, a cada oito buscas feitas em google, uma é feita em live search].
 
a microsoft está dizendo duas coisas básicas sobre bing: 1. ele não é um engenho de busca; ou seja, nada de enfrentar google cara a cara; google é de busca, mas bing é de "decisão": a microsoft propõe que as pessoas usem seu serviço como auxiliar no processo de tomada de decisões [vamos ver se "pega"]; 2. não se espera resultados significativos, no mercado, no curto prazo; estão olhando, segundo steve ballmer, anos à frente.
isso tira a pressão de cima da turma de bing, que de outra forma teria que enfrentar google [o que vai ocorrer, queiram ou não] e mostrar resultados já. no topo disso, acho que o posicionamento de bing, como um sistema de decisão com a ajuda do qual [e de dentro de sua interface, veja o vídeo aqui] as pessoas vão poder tomar decisões de compra e realizá-las… muda o modelo SFO. como assim?
 
SFO é a abreviatura para search [faça uma pergunta], find [encontre o que você quer] e obtain [pegue uma cópia, isntância ou exemplar da coisa pra você] que é, digamos, o modo normal de navegar na rede. se você prestar atenção nos demos de bing [em vídeo, aqui] talvez concorde comigo que uma boa parte do esforço por trás da nova aposta da microsoft é fazer com que o "O" de SFO seja realizado, também, dentro do sistema "de busca". assim, google seria um sistema do tipo SF e bing, SFO; talvez, no começo, com um "o" minúsculo: SFo. com a microsoft participando do processo, mediando as transações e, consequentemente, ganhando dinheiro com isso.
 
pode pegar, pode não. medida de sucesso? se eu estivesse financiando o esforço, iria querer alguma coisa como passar yahoo [que ganha de live search, no mercado americano, por 2.5 x 1] em 18 meses. ainda iria estar perdendo pra google por 3 x 1, mas aí já dava pra pensar em virar o jogo. quarta-feira a gente vai saber que time, mesmo, tá entrando em campo e em que condições. em qualquer caso, no começo da partida, eu não esperaria muita precisão e cobertura nos resultados, para conteúdo em português, localizado no brasil. mas tomara que eu esteja errado. na quarta a gente vai saber.

 

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28.07.08

cuil: a reinvenção da busca na web?

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depois de passar mais de dois anos como o segredo mais bem guardado do vale do silício, o engenho de busca cuil [do gaélico para conhecimento, pronunciado como em cool] está no ar a partir de hoje. segundo a home page e os press-releases espalhados cuidadosamente pela web [veja este aqui em techcrunch] a máquina cobre mais de 120 bilhões de páginas, o que deixa qualquer outro sistema de indexação e busca no chinelo. pelo que se sabe [por baixo do pano] google indexa 40 bilhões de páginas, apesar de dizer que "sabe" de algo da ordem de um trilhão.

cuil-image.jpg

mas o principal [se funcionar mesmo, pra muita gente] é que eles dizem ser melhores do que google: Cuil also claims to have better search results than Google and others based on how they index websites. They do not simply catalog keywords on a site and then rank the site based on its importance. They also work to understand how words are related (France - cheese - wine, for example), to return more relevant results to users.

no topo disso, o pessoal da engenharia por trás no novo buscador [gente que veio de stanford, google e ibm, entre outros lugares, com experiência em projetos gigantescos] diz que cuil é muito mais barato: Cuil’s technology allows it to query indices on between one and three machines, which provide relevant results, rather than the 10,000 servers utilised by Google per query. It would have the capacity to serve 5 per cent of all search traffic at launch, but could easily scale to handle any demand.

segundo anna patterson, vp de engenharia, cuilisn’t trying to be a Google killer — it’s trying to reinvent search. tom costello, que fez doutorado em stanford [orientado por uma das lendas vivas da computação, john mccarthy], co-fundador, presidente [e marido de anna] diz que eles estão tentando construir um sistema de busca contextual, uma tentativa de entender o mundo real, e não apenas sua representação na web. cuil não guarda informação sobre as buscas que fazemos [e assim não deixamos rastro], o design é diferente dos engenhos de busca atuais, há um mecanismo de sugestões… enfim, um monte de coisas novas ao mesmo tempo.

analistas do setor estão impressionados. segundo greg sterlingThese are search people who are not building a product they want to sell quickly. They are not about trying to make a lot of money in a short period of time. They are building what they believe is the next-generation search engine.

como se não bastasse, cuil não é beta, quebrando a tradição, na web 2.0, de lançar sistemas que ainda não estão prontos para o dia-a-dia. segundo anna e tom, cuil está pronto e pode tratar 5% do total de buscas da web a partir de seu lançamento formal, hoje [segunda], e pode escalar de forma rápida e barata para atingir tanto quanto for necessário. cuil é o resultado, também, de 30 pessoas trabalhando e US$33 milhões de dólares de financiamento no estágio inicial do negócio.

vale a pena dar uma olhada. acho que ainda há muito a fazer por lá. do que eu testei, alguns resultados foram muito bons, outros nem tanto e alguns não deram em absolutamente nada. mesmo assim, se eu estivesse no negócio de busca, iria prestar muita atenção neste povo. depois de yahoo e google, cuil é a mais nova promessa, saída da mesma matriz de conhecimento -stanford university-, a querer liderar a busca na rede. como cada um dos outros dois foi o sistema dominante de sua geração… talvez seja a hora de google por as barbas de molho.

[ps @11:30h: cuil está claramente enfrentando problemas de sobrecarga e não consegue responder boa parte das buscas que recebe. talvez mais de 5% da busca na web esteja sendo tentada lá. isso significa que há um imenso espaço para melhora da busca na rede, já que tanta gente está pelo menos tentando uma nova alternativa. há uma discussão muito interessante sobre o assunto no slashdot.]

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21.07.08

microsoft cresceu [mais de] um yahoo no ano

Tags:, , - srlm às 14:01

o faturamento da microsoft cresceu 18% no ano fiscal que acaba de terminar, fazendo as receitas da companhia passarem de US$60B pela primeira vez. os US$9B a mais no negócio de redmond são mais de US$2B a mais do que todo o faturamento de yahoo no mesmo período. yahoo, aliás, vai viver uma reunião de acionistas muito tensa em primeiro de agosto, onde tudo pode acontecer, inclusive nada.

até porque a microsoft não tem tido a competência necessária pra tratar a compra de yahoo, segundo o le monde. o jornal francês diz que redmond deveria estudar e se inspirar em carlos brito e na compra da bud pela inbev, que foi um resultado de paciência e coerência, tudo o que faltou ao sucessor de bill gates na atabalhoada operação msft+yhoo [até agora]. especula-se que, alguma hora, os lados vão voltar a conversar e talvez se acertem.

no meio da confusão, os acionistas da microsoft devem estar se fazendo pelo menos uma pergunta: com faturamento crescendo 18%  e lucros subindo 25% [para US$17.6B ] a microsoft precisa de yahoo pra quê?… porque não reconhecer que google [faturamento subindo 39% e lucro 35%, no trimestre] venceu esta rodada da busca na web e partir pra próxima, usando a tecnologia combinada da própria microsoft e de suas aquisições recentes, como fast s&t e powerset?

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02.07.08

microsoft continua na busca…

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depois de comprar a fastsearch [que faz scirus, especializado em busca científica e melhor do que google scholar neste campo] e, mais recentemente, powerset [um start-up de san francisco que faz busca semântica, por US$100M], parece que a microsoft está indo atrás da busca de yahoo de novo

e [pelo que se diz] desta vez junto com a warner e a news corporation [de rupert murdoch]. coisa de gente muito grande mesmo. parece que steve ballmer não desistiu de enfrentar a dominância de google na busca aberta da web. pelo menos não ainda. mas o negócio provavelmente não se resolverá pelas tecnologias e sim pelas comunidades habilitadas por cada uma delas. e yahoo é a comunidade que a busca da microsoft [ainda] não tem. daí a insistência da microsoft…

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13.06.08

yahoo casa [?] com google

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yahoogoogle1.jpgyahoo aceitou uma proposta de google de servir anúncios do googleplex em alguns de seus termos de busca por três anos. o acordo não é exclusivo e outros atores podem entrar em cena nos atos seguintes. isso se houver algum amanhã pra yahoo. não é o que pensam muitos dos colaboradores de primeira linha, que estão procurando outras alternativas.

e a avaliação é ainda mais drástica quando feita pela galera do mercado: o wall street journal acha que yahoo ganha algo como US$450M na transação, no máximo, no primeiro ano do negócio [US$200M parece ser o pior caso]. a microsoft, em sua proposta original, adicionava US$12B ao valor de mercado de yahoo; desde quando US$450M de receita parece com US$12B de valor? a próxima assembléia de acionistas de yahoo vai ser tudo, menos tranquila.

segundo os entendidos, se este for o preço pago pela independência, terá sido o remédio que matou o paciente. vamos ver. no mercado, ontem, google subiu 2%, a microsoft subiu 4% e yahoo perdeu 10%, numa nasdaq estável. e isso enquanto redmond diz que saiu do cenário porque yahoo está perdendo gente e sua performance está abaixo do esperado.

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