Terra Magazine

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

youTube: TV?

Tags:, , , , , - srlm às 08:00

sim, TV. parece inacreditável. mas é isso que decidiu a AGCOM, o regulador de telecom da itália, equivalente deles à nossa ANATEL. la repubblica abriu a notícia assim

IL 2010 si conclude con un "regalo" sgradito per YouTube, DailyMotion e altri popolarissimi siti che ospitano video generati dagli utenti. Due delibere appena pubblicate dall’Autorità per le garanzie nelle comunicazioni (Agcom) li equiparano a servizi radiotelevisivi, con tutte le conseguenze del caso…

…citando a equiparação feita pela AGCOM e alertando para “todas as consequências do caso”. TV, ninguém ignora, tem editor; o conteúdo é escolhido pela estação e vai para o ar em modo “broadcast”, onde quem assiste o conteúdo é público e não comunidade. nos lugares onde só há uma emissora de TV, não há escolha; e TV faz parte do sistema de comunicação de massa, do centro para as bordas.

já youTube e outros sites de hospedagem de vídeo, muitos dos quais estão migrando para redes sociais de compartilhamento de informação [seja lá em que formato for], são parte de uma infraestrutura para conectividade, onde o conteúdo é criado pela comunidade e por ela usado, à sua escolha e bel prazer. as redes sociais não têm centros a priori, e conectam da mesma forma, com a mesma intensidade [pelo menos potencialmente] todos os pontos que delas fazem parte.

sim, mas há algoritmos por trás de youTube e foi por aí que a AGCOM achou a porta de entrada; segundo stefano mannoni, conselheiro da agência reguladora italiana…

"Youtube fa una gerarchizzazione dei propri contenuti… anche se magari solo con il suo algoritmo e in automatico, e questo equivale a un controllo editoriale".

… youTube faz uma hierarquização do próprio conteúdo e, apesar disso ser feito por algoritmos e de forma completamente automática, equivale a um controle editorial. o argumento não é totalmente desprovido de lógica, até porque [como o blog já discutiu] o mundo é todo codificado e, no caso do mundo virtual, codificado de forma executável.

ocorre que a escolha italiana, ao responsabilizar os algoritmos e seu proprietário, o site, pela escolha editorial é falha, e na raiz: o que os algoritmos de classificação e promoção [hierárquica ou não] de conteúdo fazem [nas redes sociais] é prover meios para criação de uma rede de nós [o conteúdo propriamente dito] e links, as ligações que a comunidade faz entre os nós.

e um bom algoritmo para tal fim é neutro nas suas “escolhas” e, muito ao contrário do que pensa a agência italiana, não programa o conteúdo e, sim, pode ser “programado” pelos usuários. SEO é o nome de tal programação para máquinas de busca e SNO –social network optimization, ou otimização de redes sociais- é o equivalente para as infraestruturas comunitárias na web.

na verdade, qualquer conjunto de algoritmos de suporte a redes sociais de compartilhamento de conteúdo só vai funcionar a contento enquanto for um conjunto de mecanismos de tomada de decisão que interprete, tão fielmente quanto possível, as vontades da comunidade ao criar, usar, ligar e, em função disso, promover o conteúdo. é a comunidade, pois, que “edita” a promoção ou, como quer a AGCOM, a hierarquização de conteúdo em youTube e serviços similares e não os algoritmos em si.

é difícil dizer qual é o conjunto de motivações da AGCOM para perseguir youTube e similares e, ao fazê-lo, cometer um erro conceitual de tamanha gravidade. o equivalente, na economia da literatura física, seria processar os produtores de papel, tinta e prensas pelo conteúdo [considerado ofensivo] de livros e jornais. espera-se que a ANATEL e o conselho de comunicação social [se e quando voltar a funcionar] tentem entender o problema dentro do seu contexto contemporâneo, ao invés de seus colegas italianos.

responsabilizar qualquer tipo de sistema colaborativo pelo conteúdo nele depositado pelos seus usuários [como se houvesse editor, como na TV] inviabilizaria tais infraestruturas essenciais para a sociedade dos nossos tempos. é só imaginar twitter, faceBook e youTube sendo processados por cada ofensa que alguém inserir, lá, sobre qualquer outro alguém.

ainda bem que tivemos, até aqui, muito mais bom senso sobre o assunto do que os italianos, apesar do quase ex-senador azeredo e seus esforços para criminalizar comportamentos na web brasileira.

mas o preço da liberdade é a vigilância e o ativismo: azeredo perdeu a cadeira no senado mas vai continuar no congresso como deputado e está prometendo continuar “a luta” pelo seu projeto… que por sinal foi ressucitado na câmara. todo cuidado é pouco…

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sábado, 4 de outubro de 2008

música: busque, ache, toque, compartilhe

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songza: music search engine & internet [visual] jukebox.

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

a parceria estúdio-pirataria

suzumiya_haruhi.jpgestúdios japoneses de anime [mercado de US$20B por lá] estão testando youTube e outros sites de compartilhamento de conteúdo como forma de ampliar sua interação com espectadores e usuários. kadokawa, a galera que faz haruhi suzumiya, está gastando US$1M para descobrir como é possível [se é que é] fazer um mashup de suas operações comerciais com o material gerado por fãs na internet.

ao invés de "combater a pirataria", usando o "estilo azeredo" que se quer implementar no brasil, kadokawa está separando o joio do trigo e promovendo os vídeos [no youTube, a partir de seu material] que não ofendem o "espírito" da série haruhi suzumyia e que podem [pois livres de material de outros donos de copyright] ficar na rede sem problemas. a história está contada aqui, na business week.

a coisa pode parecer trivial, mas não é. o lance é que qualquer um de nós pode pegar material de muuuitas fontes e recombinar para criar um mashup; aí, com a propriedade do material distribuída por um monte de pessoas e empresas, na maioria dos casos será impossível conseguir autorização de todos para publicar o resultado. via de regra, a coisa é publicada assim mesmo e alguém, depois, toma as dores e tira o material do ar… e/ou processa o autor [se ele for encontrável].

este problema de compartilhamento e recombinação tem solução trivial. é só usar o modelo de proteção e autorização definido pelo creative commons, que permite ao autor estabelecer o nível de proteção que deseja para seu trabalho. quanto mais gente publicar seu material usando um mecanismo transparente como o de creative commons, mais coisas poderão ser feitas de forma inovadora, na rede, sem que seja necessário licenciar todo o material de base primeiro. e permitindo o compartilhamento de receita [se houver] depois. o congresso brasileiro talvez devesse estar discutindo isso agora, ao mesmo tempo em que se tenta aprovar legislação que vai [potencialmente] restringir muito o uso da web por aqui.

voltando pro anime na rede, a kadokawa agora tem um canal no youTube e o noticiário dá conta de que a receita kadokawa.pngde anúncios nos vídeos aprovados será compartilhada por youTube, kadokawa e o autor. o estúdio vai rodar o experimento por mais alguns meses e outros estúdios japoneses, segundo a business week, podem fazer coisas semelhantes. muitos deles, por sinal, apontam para sites de compartilhamento quando potenciais importadores de seu material querem ver vídeos legendados… coisa que eles não têm mas que os fãs, voluntariamente e grátis, fazem… e que no brasil da "lei azeredo" seria motivo pra vários anos de cadeia.

falando em brasil, compartilhamento, propriedade intelectual, fãs e coisas interessantes, você já viu algum capítulo da "novela" mina & lisa, ainda mais legendado em inglês? não perca tempo: procure por mina lisa 03 no youTube [não posso botar o link aqui...].

 

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